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SUMMARY:"Jaime Lauriano – Panorama da Cidade de São Paulo" no Beco do Pinto | Museu da Cidade de São Paulo
DESCRIPTION:O Museu da Cidade de São Paulo e o Departamento dos Museus Municipais da Secretaria Municipal da Cultura apresentam Panorama da Cidade de São Paulo\, um projeto de Jaime Lauriano criado especialmente para as escadarias do Beco do Pinto. Por ocasião da abertura\, que acontece no dia 7 de outubro\, das 14h às 17h\, o Coletivo Legítima Defesa realizará um cortejo performático que se iniciará às 15h no Pateo do Collegio em direção ao Beco do Pinto.  \n\n\n\nPanorama da Cidade de São Paulo é um desdobramento de uma série recente em que o artista cria releituras de grandes pinturas históricas dos séculos XIX e XX\, de caráter acadêmico e oficialesco\, que representam e idealizam fatos da História do Brasil\, buscando reprocessar estas imagens que narram a construção do conceito de história do Brasil. A pintura em questão é uma das obras mais importantes da iconografia paulistana do século XIX\, encomendada por d. Pedro I\, foi pintada pelo artista francês Arnaud Julien Pallière. \n\n\n\nA poética de Jaime Lauriano revisita símbolos\, imagens e mitos formadores do imaginário da sociedade brasileira\, tensionando-os a partir de proposições críticas capazes de revelar como as estruturas coloniais do passado reverberam na necropolítica contemporânea. Desse modo\, o artista reproduz a pintura e a altera com adesivos\, desenhos e inscrições. Suas alterações buscam modificar o caráter fortemente idealizado da cena\, removendo personagens e acrescentando outros elementos\, muitos deles contemporâneos\, de forma a destacar as implicações e as formas de violência que perpassam a história brasileira e que são vigentes ainda no presente.  \n\n\n\nPara a apresentação do Beco do Pinto\, o panorama alterado foi dividido e reproduzido em três painéis de grandes dimensões que serão dispostos nos três diferentes níveis da escadaria do Beco. Nos painéis\, as imagens serão duplicadas/alteradas a partir de uma técnica de imagem em movimento. Assim\, a paisagem reproduzida poderá ser visualizada em sua integridade somente a partir do deslocamento do espectador no espaço. 
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SUMMARY:"Mulheres em Luta! Arquivos de Memória Política" no Memorial da Resistência de São Paulo
DESCRIPTION:O Memorial da Resistência de São Paulo\, museu da Secretaria de Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo\, apresenta a exposição Mulheres em Luta! Arquivos de Memória Política\, com curadoria de Ana Pato. A mostra tem como fio condutor o acervo de história oral do Memorial da Resistência que compõe o programa Coleta Regular de Testemunhos\, com depoimentos de mulheres que vivenciaram a violência de Estado no período da Ditadura Civil-Militar (1964-1985) e na Democracia.  \n\n\n\nOlhar para o período da Ditadura Civil-Militar sob a perspectiva de gênero é a linha que tece esta exposição\, e através dos testemunhos\, abordamos as lutas coletivas de mulheres por Memória\, Verdade e Justiça e por direitos fundamentais. Pelo que lutam? Como lutam? Quais são suas histórias?
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LOCATION:Memorial da Resistência de São Paulo\, Largo General Osório\, 66 - Santa Ifigênia\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:Galeria Raquel Arnaud – 50 anos
DESCRIPTION:Gabinete de arte Raquel Arnaud\, na Av. Nove de Julho – SP\, 1980 (adaptado por Lina Bo Bardi).\n\n\n\nA mostra Galeria Raquel Arnaud – 50 anos marca meio século de existência da galeria paulistana. Com abertura em 22 de fevereiro e curadoria de Jacopo Crivelli Visconti\, a exposição apresenta momentos decisivos da arte contemporânea brasileira desde a década de 1970 e revela como a marchand consolidou\, de forma visionária\, um projeto artístico claro e coerente\, ao promover grandes artistas como Amilcar de Castro\, Mira Schendel\, Waltércio Caldas\, Iole de Freitas\, entre muitos outros. \n\n\n\nA história da galeria é apresentada ao público por meio de uma linha do tempo\, com destaque para documentos raros produzidos pela instituição ao longo dos anos. Livros\, convites elaborados por designers\, folhetos e publicações podem ser vistos pela primeira vez\, além de mais de 40 obras de artistas que passaram pela galeria\, como Sérgio Camargo\, Hercules Barsotti\, Sérvulo Esmeraldo e Mira Schendel – artista suíça que expôs a série ‘Sarrafos’ na instituição\, pouco antes de falecer em 1988. \n\n\n\nSegundo o curador\, o papel da galeria no fortalecimento da arte contemporânea é o centro da narrativa mostrada na exposição. “Quase se vislumbra uma contradição ao destacar a trajetória de Raquel na exposição\, dado que as obras de arte e os artistas sempre ocuparam o posto mais significativo em sua vida. Contudo\, ao menos uma vez após meio século\, desviar a atenção não para as obras em si\, mas sim para a história da galeria\, torna-se o foco”\, ressalta Visconti. \n\n\n\n“A primeira exposição que fizemos no Gabinete de Artes Gráficas foi de Arthur Luiz Piza\, com 70 gravuras\, um sucesso\, todas vendidas e algumas mais encomendadas.  O artista Arthur Piza foi o primeiro artista da minha vida como galerista\, e o acompanhei até sua morte em 2017”\, destaca Raquel Arnaud. \n\n\n\nNo início de sua trajetória como marchand\, enquanto desenvolvia a carreira dos artistas de belas artes\, Raquel Arnaud dirigiu a galeria Arte Global\, da Rede Globo. Um experimento único no mercado de arte brasileiro\, que levou ao horário nobre da televisão obras de artistas plásticos através de peças publicitárias elaboradas para a linguagem audiovisual. Uma experiência incomum no meio artístico\, mas importante na consolidação de uma instituição que tem em sua base o diálogo. \n\n\n\nGrandes nomes do movimento neoconcreto fazem parte do DNA da galeria desde sua formação. Willys de Castro\, por exemplo\, explorava as possibilidades no campo da abstração geométrica e sempre teve espaço para exibir suas criações\, tendo realizado na instituição sua última individual\, em 1986. No mesmo ano\, a veterana Lygia Clark participou de sua última coletiva na galeria. A escultora chamava atenção pelas suas declarações a respeito de não ser artista. Nos últimos anos de vida\, próxima da psicanálise\, a dama do neoconcretismo incorporou trabalhos mais gestuais à sua obra. \n\n\n\nE é justamente na década de 1980 que a instituição entra em uma nova fase e passa a se chamar Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Novos nomes como Nuno Ramos e Tunga ganham destaque na programação da galeria com suas técnicas inovadoras. Na mesma época\, foi exposta no Gabinete de Arte a série ‘Carimbos’\, de Carmela Gross\, trabalho que criticava diretamente a censura do regime militar ao tratar da reprodução em massa da imagem. Em um primeiro momento\, houve uma baixa adesão do público à exposição. Mas o reconhecimento veio anos depois\, quando a obra foi incorporada no acervo permanente do MoMA\, em Nova York\, confirmando o olhar atento da galerista para novas tendências. \n\n\n\nJá a ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino expôs com Raquel Arnaud algumas de suas obras mais ousadas. Conhecida por trabalhos que retrataram os perigos dos regimes de exceção\, com forte teor contestatório\, Maiolino também explorou as possibilidades das linhas\, das dobras e formas em trabalhos com argila e tecidos \n\n\n\n“Continua sendo um desafio\, como sempre foi\, dar continuidade à linha de trabalho na galeria\, contemplando por um lado os nomes consagrados que represento há muitos anos assim como os mais jovens talentos que serão também consagrados\, numa conversa geracional investigativa e produtiva”\, pontua Raquel. \n\n\n\nAo destacar expoentes dos movimentos concreto\, cinético\, abstrato e geométrico\, a galeria Raquel Arnaud não deixou de abrir suas portas para artistas de outras vertentes. Ao longo dos anos\, o diálogo virou sinônimo da curadoria desta dama das artes\, que mostrou artistas muito distintos entre si\, como Vik Muniz\, Regina Silveira e Lygia Pape. Alinhada às experimentações visuais e atenta a tendências internacionais\, a galerista foi uma das primeiras a trazer grandes nomes da arte cinética\, como Almandrade\, Jesús Rafael Soto e Carlos Cruz-Diez. \n\n\n\nRaquel Arnaud também fundou o Instituto de Arte Contemporânea (IAC) em 1997 para documentar e catalogar obras de artistas do gênero\, como Sergio Camargo e Willys de Castro\, os primeiros a terem seus acervos incorporados à instituição graças ao papel da galerista. O projeto de reunir arquivos para pesquisa e consulta pública exigiu tempo\, dedicação e recursos próprios\, uma vez que a instituição se propunha a um papel pioneiro ao disponibilizar material até então inédito para pesquisadores.
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LOCATION:Galeria Raquel Arnaud\, 125 R. Fidalga Vila Madalena\, São Paulo\, São Paulo\, Brasil
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SUMMARY:"Gran Fury: arte não é o bastante" no MASP
DESCRIPTION:MASP/Reprodução\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 23 de fevereiro a 9 de junho de 2024\, a mostra Gran Fury: arte não é o bastante\, que ocupa a galeria localizada no 1o subsolo do museu. Com curadoria de André Mesquita\, curador\, MASP\, e assistência de David Ribeiro\, supervisor\, MASP\, a exposição reúne 77 obras\, entre elas fotocópias e impressões digitais sobre papel. A mostra discute os limites e os alcances das campanhas gráficas do coletivo Gran Fury\, bem como a ideia da arte como estratégia no campo ativista\, impulsionado por pessoas queer\, para ampliar a consciência sobre o HIV/aids.  \n\n\n\nGran Fury (Nova York\, 1988—1995) foi um coletivo de artistas considerado referência para as práticas de ativismo artístico das décadas de 1980 e 1990\, que emergiu a partir da organização ACT UP (AIDS Coalition to Unleash Power) [Coalizão da aids para libertar o poder]\, composta por indivíduos e grupos de afinidade dedicados a tornar criticamente público o silêncio e a negligência do governo dos Estados Unidos em relação ao HIV/aids. Gran Fury produziu campanhas gráficas e intervenções públicas em torno das questões relacionadas à crise do hiv/AIDS\, servindo visualmente ao ACT UP em protestos e ações de desobediência civil. O coletivo encerrou suas atividades em 1995\, e seu arquivo encontra-se na New York Public Library. \n\n\n\nEm boa parte de sua trajetória\, o Gran Fury contou\, em sua formação\, com Avram Finkelstein\, Donald Moffett\, John Lindell\, Loring McAlpin\, Mark Simpson (1950-1996)\, Marlene McCarty\, Michael Nesline\, Richard Elovich\, Robert Vazquez-Pacheco e Tom Kalin. O grupo se autodescrevia como “um bando de indivíduos unidos na raiva e comprometidos a explorar o poder da arte para acabar com a crise da aids”. Seus membros recusavam-se a se assumir como artistas ou a aparecer como criadores individuais e desejavam escapar dos espaços de arte consagrados.  \n\n\n\nO título da exposição do MASP Arte não é o bastante\, se inspira na frase “With 42\,000 Dead\, Art Is Not Enough” [Com 42 mil mortos\, arte não é o bastante] (1988)\, de autoria do coletivo. A sentença surgiu quando a instituição independente de arte experimental e performance The Kitchen\, em Nova York\, convidou o coletivo para fazer a capa do calendário do espaço\, que respondeu com um pôster contendo a declaração\, seguida da conclusão “Take Collective Direct Action to End the Aids Crisis” [Engaje-se na ação direta e coletiva para acabar com a crise da aids].  \n\n\n\n“O Gran Fury é parte de uma história ativista do uso politizado das ferramentas de comunicação e da subversão de imagens e discursos dominantes\, abrindo território para o que na década de 1990 tornou-se conhecido entre coletivos de arte ativista e movimentos sociais como ‘mídia tática’\, que é a produção de um novo tipo de estética por grupos e indivíduos oprimidos ou excluídos da cultura geral\, trabalhando com formas expandidas de distribuição cultural e intervenção semiótica nas ruas\, valendo-se de diferentes suportes visuais”\, elucida o curador André Mesquita.  \n\n\n\nEntre as ações produzidas pelo grupo está a criação The New York Crimes (1989)\, que consistiu na impressão de milhares de exemplares falsos de um jornal de quatro páginas com textos do ACT UP\, contendo suas próprias notícias e gráficos densos. Nessa obra\, o grupo\, mimetizando os elementos gráficos da capa do The New York Times. s. O The New York Crimes corrigia a identidade e as informações equivocadas da cobertura do tradicional jornal nova iorquino sobre a doença\, por exemplo a de que o controle do HIV já estava estabilizado. Na época\, Gran Fury e ativistas do ACT UP saíram pelas ruas de Nova York durante a madrugada\, abriram as caixas do The New York Times\, retiraram os exemplares e substituíram as primeiras páginas com o jornal falso.  \n\n\n\nEm Kissing Doesn’t Kill [Beijar não mata] (1989-90)\, o Gran Fury desviou o multiculturalismo corporativo das conhecidas campanhas da empresa italiana de roupas Benetton\, subvertendo seus códigos visuais e semânticos e a sua sedução visual\, para exibir fotografias de três casais inter-raciais se beijando. O pôster foi instalado como um painel nas laterais de ônibus e nas estações de metrô em São Francisco\, Chicago\, Nova York e Washington DC\, nos Estados Unidos. Sua imagem\, replicada também em vídeos curtos produzidos pelo coletivo\, não vendia um produto\, mas desafiava a interpretação equivocada do beijo como comportamento de risco\, uma vez que\, naquela época\, a saliva era vista como um fluido supostamente capaz de transmitir o HIV. \n\n\n\n“O outdoor não publicitário de Kissing Doesn’t Kill efetua o que\, na década de 1990\, popularizou-se como Culture Jamming [Interferência cultural] por meio da subversão\, manipulação ou rompimento simbólico das mensagens publicitárias na mídia e no espaço urbano”\, explica Mesquita. \n\n\n\nA garantia do cuidado e do respeito a todas as pessoas com HIV foi endereçada em um cartaz com a frase All People With AIDS Are Innocent [Todas as pessoas com aids são inocentes] (1988)\, quebrando o paradigma moral de que algumas pessoas mereceriam o hiv/AIDS mais do que outras. O cartaz do Gran Fury determinava uma mudança de pensamento imediata da sociedade para respeitar\, sem hierarquias\, todas as pessoas que convivem com o hiv/AIDS\, as quais devem ter o direito de receber cuidados e assistências igualitárias. \n\n\n\nSegundo o curador André Mesquita\, “dizer que ‘a arte não é o bastante’ não significa abandonar permanentemente a arte em favor da militância\, ou apontar a ineficácia de uma prática artística para a transformação social. Ao contrário\, a declaração do Gran Fury propõe que já não basta mais fazer uma arte sobre a crise\, mas que momentos de crise são também momentos revolucionários de imaginação radical e de confrontação de sistemas hegemônicos e opressores”. “Sua obra gráfica nos provoca a pensar sobre a necessidade e a urgência de artistas\, ativistas e agentes culturais se articularem como força política solidária em direção à ação direta\, caminhando junto a movimentos contestatórios”\, conclui. \n\n\n\nGran Fury: arte não é o bastante integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da diversidade LGBTQIA+. Este ano a programação também inclui mostras de Francis Bacon\, Mário de Andrade\, MASP Renner\, Lia D Castro\, Catherine Opie\, Leonilson\, Serigrafistas Queer e a grande coletiva Histórias da diversidade LGBTQIA+.
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LOCATION:MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand\, Avenida Paulista\, 1578 - Bela Vista\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Rizoma" de Rodrigo Sassi no Projeto Parede do MAM SP
DESCRIPTION:Rodrigo Sassi\, Detalhe das peças da obra Rizoma de 2024. Foto: Ding Musa\n\n\n\nEm 29 de fevereiro\, o Museu de Arte Moderna de São Paulo abre a edição de 2024 do Projeto Parede com uma obra inédita do artista Rodrigo Sassi. O trabalho intitulado Rizoma ocupará o corredor que liga a recepção do museu à Sala Milú Villela – que na ocasião da abertura\, estará com a exposição George Love: além do tempo em cartaz. \n\n\n\nO Projeto Parede acontece há quase três décadas no MAM São Paulo\, com artistas sendo convidados a criar obras que dialoguem com o espaço. \n\n\n\nRizoma é uma instalação a qual o artista se refere como um “não mural”. A obra\, inspirada em murais modernistas\, é composta por relevos de alvenaria fixados sobre a parede do museu e\, conectados uns aos outros\, atingem uma escala que conflita com o recuo disponível para sua visualização\, de certa forma indo contra propósitos e características de sua própria referência. \n\n\n\nPara isso\, Rodrigo Sassi idealizou uma nova pesquisa\, propondo-se a realizar um trabalho diferente do que já é conhecido de sua produção\, pensando nas especificidades do espaço onde ele será montado. “Esta é uma proposta que foge dos padrões do meu trabalho\, que deixa um caminho em aberto para novos desdobramentos\, inclusive”\, ele comenta. \n\n\n\nA obra é composta por peças de alvenaria extraídas de fôrmas feitas com madeiras reaproveitadas do descarte da construção civil. Em decorrência da utilização de moldes para a tiragem das peças\, conforme o visitante for andando pelo corredor\, irá perceber um padrão que se repete em sua composição\, ditando um ritmo que é constantemente quebrado ao longo do percurso. Aos olhares mais atentos\, são percebidas características de sua manufatura e processo artesanal\, vestígios do uso das fôrmas\, pequenas diferenças de cores entre as peças\, rastros de processo como riscos e marcações deixados pelo próprio artista durante seu fazer. \n\n\n\nPara esta instalação\, Rodrigo Sassi agrega referências arquitetônicas muralistas à sua poética e prática de trabalho. O artista traz a ideia de azulejos de Bulcão que têm continuações\, apesar de serem diferentes um do outro\, onde até nas rupturas existem composições que funcionam entre si. O projeto é desdobramento de uma intervenção que o artista realizou no o Museu da Inconfidência\, em Ouro Preto (MG)\, instituição que é parceira do MAM nesta mostra. \n\n\n\nCurador-chefe do MAM São Paulo\, Cauê Alves pontua\, em texto que acompanha o trabalho\, que para esta obra Sassi fez uma espécie de atualização de noções sobre o barroco\, mas pensando a partir de uma perspectiva da arte contemporânea\, em diálogo com os modernistas. \n\n\n\n“É justamente do cruzamento entre arte moderna e arte colonial que seu trabalho se desenvolveu. Com referências aos painéis de Burle Marx e de Athos Bulcão\, típicos da arquitetura moderna de Rino Levi e Oscar Niemeyer\, o artista também explora contradições do projeto moderno. Entre elas está a ênfase no trabalho operário\, sempre pouco valorizado\, mas fundamental para qualquer construção. Por isso\, o artista produz artesanalmente módulos de concreto usando técnicas tradicionais”\, escreve o curador.
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SUMMARY:"George Love: além do tempo" no MAM SP
DESCRIPTION:George Love\, Ilha do Marajó\, 1971 – Imagem que fez parte dos livros Amazônia e Alma e Luz.\n\n\n\nNo despertar da cultura fotográfica brasileira na segunda metade do século XX\, um nome figura entre as maiores referências: George Love. Artista carismático\, ele sempre foi cercado por uma aura de mistério\, que beirava a lenda\, de tão conhecido quanto enigmático que era\, pelo tanto que ele foi exposto e como ficou escondido. \n\n\n\nAtuando em uma era de efervescência intelectual\, de questionamento comportamental e de transição de costumes\, George exibia um intenso brilho em suas realizações\, na interação profissional e no convívio particular. A luz que trazia ao ambiente extravasava paredes e repercutia na atmosfera e nas pessoas\, que vislumbravam as infinitas possibilidades de um marcante meio de expressão. Suas ações no meio cultural\, editorial e corporativo expandiam os horizontes da fotografia\, abrindo caminhos adiante do seu tempo. Conscientemente ou não\, gerações de fotógrafos brasileiros seguem sua inspiração e seu modelo\, que se realça entre as raízes de nossa contemporaneidade. \n\n\n\nChamá-lo de gênio também não é hipérbole. George Leary Love nasceu em 24 de maio de 1937\, em Charlotte\, Carolina do Norte\, Estados Unidos. Negro\, filho único em uma família simples e culta\, concluiu seus primeiros estudos superiores antes dos 20 anos. Adotou a câmera fotográfica também cedo\, vislumbrando a possibilidade profissional no segmento de fotografia de viagem\, representado por arquivos de imagens\, um mercado importante na época\, com o qual se manteria ligado por toda sua vida profissional. Fixando-se em Nova York para mais estudos\, logo passou a se dedicar à fotografia como criação autoral\, tendo suas primeiras mostras em galerias de Manhattan\, dando cursos e palestras. Assim\, foi aceito como um dos mais jovens participantes da Association of Heliographers\, um grupo restrito de expoentes da fotografia americana que promovia a arte\, propunha sua expansão e inovava no uso de impressões coloridas no meio expositivo. George Love se identificava com a proposta\, de forma que o ideário dessa associação é chave importante para compreender a obra que desenvolveu por toda a sua vida. Em pouco tempo\, o jovem fotógrafo se tornou vice-presidente e coordenador da galeria da associação. Foram dois anos intensos\, entre 1963 e o fim de 1965\, até o encerramento da entidade\, por carência de recursos. \n\n\n\nA perspectiva de um novo rumo lhe foi oferecida por uma rara heliógrafa estrangeira\, que o estimulou a se aventurar pelo continente sul-americano. Em janeiro de 1966\, George juntava-se a Claudia Andujar em Belém para uma inusitada expedição no interior da Amazônia\, verdadeira epopeia até a terra dos Xicrin. Voltaram para Belém\, subiram pelo rio até Iquitos\, depois Lima e Bolívia\, e entraram de volta no Brasil pelo famoso “trem da morte”. Fixaram-se em São Paulo\, no apartamento da Avenida Paulista\, casaram-se… e\, então\, o resto é história. \n\n\n\nZé De Boni (curador)
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SUMMARY:"Lygia Clark: Projeto para um planeta" na Pinacoteca Luz
DESCRIPTION:Lygia Clark\, Projeto para um planeta\, 1960\n\n\n\nA Pinacoteca de São Paulo\, museu da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, apresenta Lygia Clark: Projeto para um planeta\, exposição panorâmica de uma das artistas brasileiras mais relevantes do século XX. A mostra ocupa as sete galerias expositivas da Pinacoteca Luz com mais de 150 obras que demonstram o legado dos mais de 30 anos de carreira da artista. Com curadoria de Ana Maria Maia e Pollyana Quintella\, a exposição comemora o centenário de Lygia Clark\, apresentando obras como Projeto para um planeta (1960) – da série Bichos\, que dá nome à exposição\, a instalaçãoA casa é o corpo\, feita para a Bienal de Veneza de 1968\, e Maquete para interior nº3\, reproduzida em grande escala especialmente para a Pinacoteca. \n\n\n\nLygia Clark foi uma das artistas responsáveis por reestruturar o vocabulário artístico brasileiro a partir da década de 1960\, desafiando as fronteiras entre o papel do artista e do público\, e propondo uma nova relação entre corpo e objeto. Na Pinacoteca\, a exposição estabelece uma conexão entre as diferentes fases da carreira de Clark\, apresentando suas pinturas iniciais\, a passagem pelo movimento neoconcreto\, proposições participativas e projetos arquitetônicos. A mostra reúne uma grande seleção de obras históricas vistas poucas vezes nos últimos anos. \n\n\n\n“Lygia Clark tem um lugar fundamental na formação de repertório sobre formas de produzir e experimentar arte. Passados 18 anos desde a última mostra dedicada à artista no museu\, é preciso assegurar que públicos das mais variadas origens e idades\, sobretudo estudantes\, possam não apenas ler sobre as obras e proposições da artista\, mas acessá-las e vivenciá-las presencialmente”\, contam as curadoras.
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SUMMARY:"Diásporas Asiáticas" no Instituto Tomie Ohtake
DESCRIPTION:Como aponta o diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake\, Paulo Miyada\, em um espaço cultural que recebe o nome de Tomie Ohtake\, pensar as diásporas asiáticas é uma tarefa inevitável. Os numerosos conflitos\, crises\, invenções\, revoluções e guerras ao longo do século XX foram determinantes tanto para a diáspora de importantes parcelas da população asiática quanto para o afluxo de imigrantes de diversas partes do mundo ao Brasil – tendo o estado de São Paulo como um destino comum para muitos fluxos diaspóricos devido a suas dinâmicas econômicas e sociais. “É um processo conflituoso\, com perdas e trocas que atravessam as gerações e são definidas pela constante transformação”\, completa Miyada. \n\n\n\nO programa Diásporas asiáticas procura somar forças a esse processo ao sublinhar o impulso criativo de artistas vindos da China\, da Coreia do Sul e do Japão (ou mesmo nascidos aqui\, em famílias imigrantes)\, exemplares de seus fluxos migratórios e\, ao mesmo tempo\, casos singulares dentro da história da arte brasileira. O programa foi produzido com recursos captados via Lei de Incentivo à Cultura\, do Ministério da Cultura. \n\n\n\nDiásporas asiáticas compreende três mostras\, sendo duas individuais dos artistas Chen Kong Fang (Tung Cheng\, China\, 1931 – São Paulo\, SP\, 2012) e Hee Sub Ahn (Seul\, Coreia do Sul\, 1940). A terceira mostra\, uma coletiva\, apresenta trabalhos dos ceramistas nipo-brasileiros Akinori Nakatani\, Alberto Cidraes\, Hideko Honma\, Katsuko Nakano\, Kenjiro Ikoma\, Kimi Nii\, Kimiko Suenaga\, Luciane Sakurada\, Marcelo Tokai\, Mário Konishi\, Megumi Yuasa\, Mieko Ukeseki\, Renata Amaral\, Shoko Suzuki e Tomie Ohtake. Ao lado das obras dos ceramistas\, haicais do artista Kenichi Kaneko são dedicados a cada um dos ceramistas reunidos. A presença de Tomie se dá\, ainda\, por uma parte do folder que acompanha a exposição – cujo acesso pode se dar por QR CODE – ser dedicada a suas obras públicas e a sua presença na cidade de São Paulo. A publicação conta ainda com textos inéditos dos curadores das mostras sobre os artistas e os universos retratados nas mostras e ainda com um texto comissionado de Lais Miwa\, pesquisadora que vem se destacando no debate acerca da presença e da visibilidade da população asiática no contexto brasileiro. \n\n\n\nChen Kong Fang—O refúgio\, com curadoria de Paulo Miyada e Yudi Rafael se debruça sobre a carreira e a obra desse artista que construiu sua vida no Brasil\, desenvolvendo a sua prática pictórica no cenário artístico paulistano por cerca de cinco décadas. A exposição\, primeira retrospectiva do artista em uma instituição brasileira\, reúne um conjunto de mais de cem obras\, entre pinturas a óleo e sumi-ês produzidos entre o final dos anos 1940 e o início da última década. Segundo os curadores\, em vez de um partido cronológico organizado em fases sucessivas\, a mostra enfatiza como o artista\, que concebia a pintura como um caminho\, fez de seu labor uma lida constante com gêneros pictóricos consolidados. “Tomando partido da reabertura experimental pelas vanguardas modernas\, Fang imprimiu sua dicção própria nas ideias de retrato\, paisagem e natureza morta”\, completam. A exposição Chen Kong Fang — O refúgio conta com o patrocínio da CTG Brasil. \n\n\n\nA exposição Hee Sub Ahn — O caminho\, com curadoria de Catalina Bergues e Julia Cavazzini\, exibe pela primeira vez o trabalho da artista em um contexto institucional. A partir dos mais de cinquenta anos de criação intensa\, selecionou-se um recorte das obras produzidas principalmente na década de 1980\, poucos anos após sua chegada. Segundo as curadoras\, a produção de Hee é atravessada pelas memórias do lugar de origem\, e pela nova comunidade aqui construída no bairro do Bom Retiro\, no qual a artista ocupa papel central. “A disciplinada e rotineira criação artística de Hee se torna um íntimo ritual de dar significado ao que percebe em seu entorno”\, destacam Bergues e Cavazzini. \n\n\n\nJá Tocar a terra — Cerâmica contemporânea nipo-brasileira\, com curadoria de Rachel Hoshino\, curadora convidada\, e que conta com assistência de Ana Roman\, elege a cerâmica para tratar do tema diáspora japonesa – “por ser ela\, simultaneamente\, matéria e metáfora: o terreno no qual se aporta\, se planta e se habita é a terra tocada com arte pelo ethos nipônico”\, explica a curadoria. São obras de 15 artistas baseados no estado de São Paulo cujas atividades\, pesquisas e repertórios são influenciados pelas tradições do Japão\, independentemente de sua ascendência. Segundo as curadoras\, para além de forma e símbolo\, é a experiência de energia latente que faz com que sementes e brotos sejam temas recorrentes em suas obras. “Muitas delas são deixadas em ambiente natural\, onde continuam sua metamorfose\, sob os efeitos de intempéries e da ocupação por outros seres”. Disso\, ressalta Hoshino\, resulta a outro importante conceito nipônico: “wabi-sabi” (侘び寂び)\, ideal estético-filosófico segundo o qual o belo reside no imperfeito\, no impermanente e no incompleto. “A plasticidade da argila\, o respeito pelo tempo e a consciência da interdependência entre tudo fazem com que a cerâmica seja prática favorável ao diálogo do ceramista com a sua história\, seu entorno e consigo próprio”\, completa Hoshino.
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LOCATION:Instituto Tomie Ohtake\, Rua Coropé\, 88 - Pinheiros\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Maria Lira Marques - Roda dos Bicho" no Instituto Tomie Ohtake
DESCRIPTION:Maria Lira Marques\, Sem título\, 2023\n\n\n\nO Instituto Tomie Ohtake apresenta Roda dos Bichos\, exposição dedicada à produção de Maria Lira Marques. Tendo como curador Paulo Miyada e curadora assistente Sabrina Fontenele\, a mostra reúne trabalhos de toda a carreira de Lira Marques\, que nas últimas três décadas extrai o barro das encostas mineiras para produzir cerâmicas e pigmentos naturais para suas pinturas e esculturas. Com uma produção profundamente marcada pelo imaginário do semiárido mineiro\, a artista se destaca por desenvolver uma linguagem singular\, pintando em pedras ou sobre o papel\, seres que habitam seu universo. A mostra conta com o patrocínio da Oliver Wyman\, Dasa\, Instituto SYN e Shopping Tietê Plaza\, através da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo\, via Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais e do Ministério da Cultura\, via Lei de Incentivo à Cultura. \n\n\n\nA mostra no Instituto Tomie Ohtake\, a primeira institucional de sua carreira\, é dividida entre as três salas à esquerda do grande hall. Na primeira\, redonda\, estão as pinturas em seixos de rio e outros trabalhos em papel. A segunda traz diferentes grupos de obras e famílias de bichos\, reunindo grande parte dos trabalhos apresentados na exposição\, enquanto a terceira sala\, além de apresentar obras do início da carreira de Maria Lira\, é dedicada sobretudo a contextualizar o seu trabalho e sua ligação com o Vale do Jequitinhonha\, através de documentos\, objetos\, cantos e fotografias. Um curta-metragem produzido especialmente para a exposição\, exibindo seus cantos\, trajetória e obra\, completa a exposição. \n\n\n\nNatural de Araçuaí\, no Vale do Jequitinhonha\, Maria Lira tem 78 anos\, é ceramista\, pintora e pesquisadora autodidata. O interesse pelo barro surgiu ainda na infância\, observando a mãe criar presépios em barro cru para presentear vizinhos. Foi com a cera de abelha que o pai usava em sua sapataria que moldou seus primeiros objetos. Mais tarde\, aprendeu o ofício com a vizinha Joana\, ceramista que lhe ensinou a coleta correta do barro e sua queima em forno à lenha. \n\n\n\nCom o auxílio de livros emprestados por familiares e vizinhos\, passa a produzir bustos\, que rapidamente são substituídos por obras que retratam a complexa realidade de sua região\, historicamente marcada pela pobreza. Na década de 70\, conhece Frei Chico\, missionário holandês que vira seu grande amigo e parceiro profissional. Juntos\, passam a documentar a memória cultural do Jequitinhonha\, gravando cantos e rezas tradicionais. \n\n\n\nAcometida por uma tendinite\, Maria Lira troca as esculturas pela pintura\, usando o barro em diferentes tonalidades como pigmento para desenhar seus bichos. Segundo Paulo Miyada\, “Os bichos do sertão de Lira vivem na paisagem imaginante que se forma na ressonância entre a artista e o território. Tomam assento na superfície arredondada de seixos de rio\, delineiam-se entre manchas feitas de água\, cola e pigmentos minerais. Reaparecem enquadrados em planos de tons de vermelho\, ocre\, branco e amarelo\, sozinhos ou em grupo\, muitas vezes junto a símbolos-runas que traduzem elementos mais-que-humanos. São bichos de terra\, marcam-se na terra\, e estão sempre grávidos de movimento”\, comenta.
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SUMMARY:Exposição de longa duração no MAC USP
DESCRIPTION:Walter Ufer\, Construtores do Deserto\, 1923 (detalhe)\n\n\n\nO Museu de Arte Contemporânea da USP apresenta a exposição Galeria de Pesquisa – Aspectos da coleção da Terra Foundation for American Art através do programa Terra Collection-in-Residence\, com 36 obras selecionadas em diálogo com a pesquisa e as disciplinas de graduação e pós-graduação do MAC USP e sua atuação no Programa Interunidades em Estética e História da Arte (PGEHA USP). A parceria entre a Terra Foundation for American Art e o MAC USP envolve também a linha de pesquisa em História da Arte e da Cultura do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e o Departamento de História da Arte da Unifesp. Nos próximos dois anos as obras em exposição permitirão criar pontes de interpretação com obras do acervo do MAC USP e apoiar atividades didáticas e de pesquisa. \n\n\n\nA Terra Collection for American Art é uma associação sem fins lucrativos\, com sede em Chicago (EUA)\, que desde os anos 1980 coleciona obras de arte do país e fomenta a pesquisa sobre sua arte.  Algumas das obras já integraram outras parcerias com o Brasil\, presentes em exposições de pesquisa realizadas no MAC USP – Atelier 17 e a gravura moderna nas Américas (2019)\, e na Pinacoteca de São Paulo – Paisagem nas Américas (2016) e Pelas ruas: vida moderna e experiências urbanas na arte dos Estados Unidos\, 1893-1976 (2022). A exposição traz obras de Thomas Hart Benton\, Eugene Benson\, James McNeill Whistler\, Louis Lozowick\, James Edward Allen\, Ralston Crawford\, George Bellows\, Bolton Brown\, Winslow Homer\, C. Klackner. Clare Leighton\, Arnold Ronnebeck\, William Zorach\, Emil Bisttram\, Menton Murdoch Spruance\, John Ferren\, Mary Nimmo Moran\, Eanger Irving Couse\, George Josimovich\, George de Forest Brush\, Walter Ufer\, Edward Hooper\, John Marin\, Stanley Willian Hayter\, Stuart Davis\, Arshile Gorky\, Lyonel Feininger\, Armin Landeck e Thomas Moran. \n\n\n\nPor fim\, as obras se articulam na parceria da disciplina de pós-graduação Arte dos Estados Unidos e suas conexões\, com o apoio da fundação e ofertada conjuntamente com a Unicamp e a Unifesp\, que vem abordando estudos comparativos entre a arte produzida nos Estados Unidos e no Brasil\, trazendo temáticas como arte indígena\, diáspora africana nas Américas\, e imigrações italianas nas Américas. Através do Programa Collection- in-Residence\, o MAC USP se insere em uma rede de doze museus universitários internacionais de arte em um olhar crítico sobre a história da arte dos Estados Unidos e suas possíveis articulações com outros países.
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SUMMARY:Ocupação Maria Bethânia no Itaú Cultural
DESCRIPTION:Ocupação IC\, Maria Bethânia\, Casa Das Canoas\, RJ. Foto: Autoria e acervo Ana Basbaum\n\n\n\nA partir do dia 13 de março\, as palavras\, o sagrado\, a natureza e as vivências de Maria Bethânia ganham espaço na 62a Ocupação Itaú Cultural\, uma homenagem à intérprete que canta paixões\, crenças e o amor à família e à terra natal\, Santo Amaro (BA)\, ao longo de seis décadas de carreira.  \n\n\n\nCom curadoria de Bia Lessa e da equipe do Itaú Cultural (IC)\, a mostra é um convite ao público para conhecer\, mais de perto\, a menina dos olhos de Oyá\, a filha de Dona Canô e Seu Zezinho\, a voz que encanta e emociona multidões por onde passa.  \n\n\n\nA exposição\, que ocupa o piso térreo e se estende ao 1o andar do IC\, leva ao público um olhar poético sobre a artista e realça seus laços com a literatura\, destacando sua ligação com autores como Vinicius de Moraes\, Clarice Lispector e Fernando Pessoa.  \n\n\n\nBia Lessa explica que a ideia é apresentar a cantora além do óbvio e do que\, de fato\, a maioria conhece. A força dos textos poéticos corresponde ao recorte curatorial. “Quando falo em palavra\, falo de palavra e linguagem – no sentido de que a palavra é uma coisa que caminha pela criação de Bethânia\, desde o início\, através do pai\, da mãe\, da riqueza do Recôncavo Baiano\, e que se transformou na coisa mais importante da vida dela”\, diz a curadora. \n\n\n\nCom entrada gratuita\, a Ocupação Maria Bethânia fica em cartaz até 9 de junho na sede do IC (Avenida Paulista\, 149). \n\n\n\nConfira também o site do programa Ocupação dedicado à artista. Disponível no dia da abertura\, ele conta com parte do conteúdo da exposição\, além de vídeos e materiais exclusivos.
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SUMMARY:"Técnicas de diversão na arte contemporânea" no MAM SP
DESCRIPTION:Paulo Bruscky\, Sem título\, 2015\n\n\n\nO Clube de Colecionadores do Museu de Arte Moderna de São Paulo ganhará exposição inédita para relembrar mais de 30 anos de trajetória\, além de outra mostra para celebrar a edição de 2024. A mostra Técnicas de diversão na arte contemporânea vai apresentar no Canopy by Hilton São Paulo Jardins\, a partir de 15 de março\, gravuras\, fotografias e obras de outros suportes que foram realizadas\, principalmente\, na última década. \n\n\n\nA curadoria de Gabriela Gotoda selecionou trabalhos que têm em comum uma busca para desviar\, defletir ou divergir das expectativas tradicionais sobre a arte e\, em especial\, a arte reprodutível. “Seja no sentido de divertir-se diante de uma provocação criativa\, de surpreender-se com as viradas de direção no interior de uma composição visual estática\, ou de distrair-se com formas e cores que despertam diferentes sensações\, as técnicas de diversão empregadas pela arte podem oferecer ao público certo alívio da responsabilidade de demarcar sentidos decisivos. Sobretudo num mundo onde as definições são cada vez mais imprecisas e dispensáveis”\, afirma a curadora. \n\n\n\nTécnicas de diversão na arte contemporânea reúne trabalhos de artistas como Angelo Venosa\, Arcangelo Ianelli\, Arnaldo Antunes\, Ascânio MMM\, assume vivid astro focus (avaf)\, Barrão\, Claudio Tozzi\, Elza Lima\, Lia Chaia\, Paulo Bruscky e Waltercio Caldas\, dentre outros. As obras estarão expostas no Stella Restaurante e no Stella Lounge do Canopy by Hilton São Paulo Jardins\,  primeiro hotel boutique lifestyle da marca na América do Sul\, localizado no bairro dos Jardins.
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LOCATION:MAM SP\, Av. Pedro Álvares Cabral\, s/n° - Parque Ibirapuera\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Sallisa Rosa: topografia da memória" na Pinacoteca Contemporânea
DESCRIPTION:Sallisa Rosa\, vista da instalação Topografia da Memória na rotunda do Collins Park\, Miami\, 2023. Cortesia da artista.\n\n\n\nA instalação de cerâmica em grande escala\, intitulada Topografia da Memória\, estará em exposição na Pinacoteca de São Paulo\, de 16 de março até 28 de julho de 2024\, marcando a primeira vez que a Audemars Piguet Contemporary trará uma de suas obras comissionadas para o Brasil. Antes de viajar para São Paulo\, a obra foi inaugurada na Rotunda do Collins Park\, em Miami\, durante a Art Basel Miami Beach em dezembro de 2023. Essa foi a primeira vez que a artista fez uma exposição individual nos Estados Unidos. A exposição Topografia da Memória na Pinacoteca coincidirá com a SP-Arte\, que acontece de 3 a 7 de abril de 2024. \n\n\n\nTopografia da Memória é composta por mais de 100 peças de cerâmica feitas à mão\, produzidas a partir de barro coletado\, criando um ambiente a ser explorado pelo público. A obra foi comissionada pela Audemars Piguet Contemporary\, cuja equipe curatorial trabalhou em estreita colaboração com o curador convidado Thiago de Paula Souza para apoiar a visão de Sallisa e o desenvolvimento do projeto. \n\n\n\nCom Topografia da Memória\, Sallisa Rosa (nascida em Goiânia em 1986) criou uma paisagem imersiva que nos convida à contemplação e a um encontro físico com a matéria. Fazendo referência às flutuações do nosso ambiente natural\, a obra modular evoluiu desde sua primeira versão em Miami para ativar o espaço singular da recém-inaugurada ala da Pinacoteca que é dedicada à arte contemporânea: a Pina Contemporânea. Instalada em uma galeria com grandes janelas\, a instalação incorpora a luz natural e vistas da paisagem circundante\, conectando as cerâmicas à terra e aos elementos dos quais foram feitas. As esculturas no chão têm a forma de estalagmites e lembram uma caverna\, enquanto as esculturas penduradas no teto são esféricas\, com sua disposição lembrando um planetário\, abraçando simbolicamente tanto o mundo subterrâneo quanto o cosmos infinito. \n\n\n\nCompostas de barro coletado à mão na área metropolitana do Rio de Janeiro\, cada escultura foi queimada a 800 graus Celsius em um forno a lenha situado em uma vala subterrânea\, proporcionando uma materialidade precisa que se conecta diretamente à terra. O processo de Sallisa convida os visitantes a reconsiderar sua relação com a memória\, a terra e o ambiente como locais de cultura e identidades. \n\n\n\nCom este trabalho\, o objetivo de Sallisa é explorar formas coletivas de recordação\, estabelecendo uma conexão entre a erosão da terra e a erosão da memória. Seu uso de barro coletado\, que valoriza o saber tradicional e preserva métodos de trabalho não industriais\, desempenha um papel fundamental em sua produção\, pois a artista acredita que a cerâmica tem a capacidade simbólica de armazenar a memória e nos ajudar a recordar. \n\n\n\nComo muitos brasileiros de sua geração\, Sallisa enfrenta desafios e incertezas ao tentar compreender sua própria ancestralidade. A progressiva perda de memória de sua avó\, uma figura central na união dos fios que tecem sua história familiar fragmentada\, é uma das principais inspirações de Topografia da Memória.
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SUMMARY:"Direito à memória: arte afro-brasileira e indígena em debate com o modernismo" na Casa Zalszupin
DESCRIPTION:Créditos: Ruy Barbosa.\n\n\n\nDe 16 de março a 22 de junho\, a Casa Zalszupin\, localizada no bairro do Jardim Paulistano\, em São Paulo\, receberá obras selecionadas pela curadora Lilia Moritz Schwarcz para a exposição Direito à memória: arte afro-brasileira e indígena em debate com o modernismo. Dentre eles estão: Agnaldo dos Santos\, Artur Pereira\, Aurelino dos Santos\, Ayrson Heráclito\, Daiara Tukano\, Flavio Cerqueira\, Gê Viana\, Genaro de Carvalho\, Gustavo Caboco\, Heitor dos Prazeres\, Iêda Jardim\, J. Cunha\, JaiderEsbell\, Jayme Figura\, José Adário dos Santos\, Lidia Lisbôa\, Madalena dos Santos Reinbolt\, Márcio Vasconcelos\, Maria Auxiliadora\, Mestre Didi\, Miguel dos Santos\, Nadia Taquary\, Paulo Pires\, Rubem Valentim\, Sidney Amaral\, Silvana Mendes\, Sonia Gomes e Zimar. \n\n\n\nO objetivo é “colocar em diálogo a tradição e o contemporâneo\, afastando classificações próprias docânone artístico ainda muito eurocêntrico\, que jogou para o lugar do “artesanato”\, ou da “arte popular e naîve”\, toda uma produção que explode na sua brasilidade e qualidade\, desafiando o conceito mais estabilizado de modernismo. Ela pede pelo plural: modernismos”\, diz a curadora. \n\n\n\nNo ano em que se completam 200 anos da primeira Constituição Brasileira\, a mostra reflexa e tensiona a própria gênese de um país historicamente socializado por uma ordem colonial\, branca\, masculina\, europeia e\, por demais\, vinculada às elites econômicas\, e que\, reservou às populações negras\, indígena e às artistas mulheres um lugar de silêncio: secundário. \n\n\n\nEsta exposição pretende\, assim\, homenagear artistas que durante muito tempo ficaram fora dos espaços consagrados dos museus e das grandes exposições\, e trazer para uma casa modernista\, icônica e simbólica\, como esta\, do arquiteto e designer polonês radicado no Brasil\, Jorge Zalszupin\, uma produção que dialoga com o local – com suas formas\, seus materiais\, seu jardim – assim como faz uma referência à decoração original do imóvel. \n\n\n\nZalszupin viveu durante 60 anos nesse endereço\, que foi decorado e projetado por ele\, com uma arquitetura modernista que dá lugar a espaços que acolhem\, e a um jardim que invade a casa\, sendo difícil separar o dentro do fora: o externo do interno. “Nela vemos se estabelecer uma conversa equilibrada entre o piso de cerâmica rústica\, com a parede rugosa\, uma superfície de pedra em diálogo com a escada vazada pelos degraus de jacarandá\, vidros coloridos nas janelas disputando espaço com o concreto\, o qual\, por sua vez\, resolve e estrutura tudo”\, escreve a curadora. \n\n\n\nE ainda complementa: “Pois bem\, inspirada por esse ambiente modernista proponho incluir outros modernismos para habitar provisoriamente esta Casa. Os modernismos de raiz afro-brasileira e indígena. Nessa refundação\, o áspero do concreto disputará espaço com o traçado forte da arte inspirada nos orixás; as pedras com os monumentos feitos com o mesmo material ou terminados com a cerâmica\, o barro e o bronze; as formas que descrevem uma reta tensa em bate papo com os motivos mais arredondados das artes indígenas e de seus encantados”.
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LOCATION:Casa Zalszupin\, R. Dr. Antônio Carlos de Assunção\, 138 - Jardim America\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"A realidade máxima das coisas" na Galeria Frente
DESCRIPTION:Manabu Mabe\, sem título. Foto: Luan Torres Galeria Frente\n\n\n\nDedicada à importante presença de artistas nipo-brasileiros e a mostrar suas diferentes criações frente às individuais percepções de cada um em contato com a nova cultura dos trópicos\, a Galeria Frente apresenta a exposição A realidade máxima das coisas\, de 16 de março a 1 de junho. Com cerca de 70 obras\, a mostra tem curadoria de Jacob Klintowitz e celebra a arte de onze artistas que deixaram o país do Sol Nascente e dedicaram suas vidas e suas criações nas artes no Brasil. \n\n\n\nAs diferentes nuances\, traços\, formas e tons impregnados nas obras de Jorge Mori\, Flávio Shiró\, Kazuo Wakabayashi\, Manabu Mabe\, Megumi Yuasa\, Takashi Fukushima\, Tikashi Fukushima\, Tomie Ohtake\, Tomoshige Kusuno\, Yutaka Toyota e Tsugouharu Foujita que compõem o elenco da exposição\, retratam a forma como esses artistas dialogaram com o Novo Mundo. “De que maneira os artistas oriundos do Japão responderam ao desafio de um país solar como o Brasil?” questiona o curador ao pontuar que “a proposta foi a de uma arte de realidade máxima das coisas. Cada um na sua linguagem\, nos seus símbolos\, nas suas vivências\, tornaram presente a presença da luz e da possível percepção. Vindos de uma tradição na qual a arte e a linguagem foram sensíveis\, mas matizadas\, eles produziram uma arte notável que pode ser definida como a realidade máxima das coisas onde realizaram uma arte que contribuiu muito para o amadurecimento da arte brasileira”\, explica Jacob. \n\n\n\nUm dos destaques\, e em celebração ao seu centésimo aniversário – o artista faria 100 anos esse ano – Manabu Mabe (1924-1997) tem forte presença nessa mostra. Entre o total das 14 obras que serão exibidas na exposição\, está um óleo sobre tela de 1994 que retrata uma aventura no espaço\, uma intervenção no imaginário espacial\, e uma referência à sensibilidade humana. “Por vezes\, quase sentimos o artista respirar. O seu delicado pincel\, percorre a tela como uma anotação do sentimento. Os elementos dialogam entre si\, mas o diálogo maior se dá entre a respiração e o gesto\, entre a criação e o sentimento”\, detalha Klintowitz. \n\n\n\nAssim como Mabe\, Yutaka Toyota (1931) reflete sobre a energia e o espaço em seus trabalhos. Dele\, o curador destaca a obra Espaço Negativo. “Nesta escultura\, ele assinala vetores de energia\, uma conversa com o invisível.” É um artista cuja sensível pesquisa do invisível\, do espaço sideral e do que se sente dele\, produziu uma obra de grande percepção manifestada numa geometria sagrada. É um mestre silencioso\, um visionário\, e um dos escultores mais importantes do país. Da peça de pequeno formato\, às peças de grande formato\, nas palavras do curador\, Toyota produziu um universo de formas totêmicas cuja essência é a relação sutil com o universo e a percepção humana. É um mestre do silêncio. \n\n\n\nÚnica artista mulher da mostra e uma das artistas mais emblemáticas\, Tomie Ohtake (1913-2015) é tida como uma das grandes damas da arte brasileira\, tem seis trabalhos selecionados para essa mostra\, todos pinturas sobre tela. Destaque para uma tela de 1968 na qual nota-se a relação da forma e gestos em formas rigorosamente elaboradas empregadas pela artista que explora suas espacialidades de modo preciso. Sua pintura sempre dignifica a sua linguagem já que a pintura\, nesse contexto\, é o único discurso possível. \n\n\n\nE\, não há como não citar a presença de T. Foujita\, um artista japonês que esteve ‘temporariamente’ entre nós na década de 1930 e que se relacionou com fortes presenças da nossa cultura como Manuel Bandeira\, Candido Portinari e Emiliano Di Cavalcanti. Foujita\, que produziu ‘entre nós’\, foi um viajante\, um transgressor e\, de tanta expressividade na Escola de Paris\, é considerado um precursor ao representar para sua época\, uma possibilidade de prazer e sonho. Um artista antológico\, de grande domínio expressivo e senhor de uma técnica soberba\, a obra Nú deitado é um precioso desenho e cuja figura feminina\, é representativa do seu percurso. “A presença feminina percorreu todas as fases do artista. E ela é sempre significativa\, pois sinaliza a sua capacidade de amar e a suavidade de sua concepção da realidade”\, pontua Jacob. \n\n\n\nAcacio Lisboa\, à frente da galeria\, enfatiza que é uma exposição que estimula a refletir sobre a cultura nipo-brasileira. “Essa mostra nos faz trazer à tona e homenagear legados estéticos de relevância\, que tenham consistência histórica e um valor inestimável para a cultura artística Nacional e Internacional. Acreditamos que a difusão dessa exposição promove a atualização do debate\, cria uma atmosfera de encontros e favorece novas discussões sobre a criação dos artistas\, tão relevantes para nossa história”\, finaliza.
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LOCATION:Galeria Frente\, R. Dr. Melo Alves\, 400 - Cerqueira César\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Paisagem e Poder: construções do Brasil na ditadura" no Centro MariAntonia da USP
DESCRIPTION: Fotografia externa COHAB Itaquera\, São Paulo\, SP\, 1980 / Foto: Silvio Macedo\, Acervo Biblioteca FAUUSP\n\n\n\nO Centro MariAntonia da USP inaugura\, no dia 19 de março\, às 19 horas\, a exposição Paisagem e Poder: construções do Brasil na ditadura\, mostra documental que utiliza diversos suportes\, e tem o objetivo de pensar o ambiente construído no período da ditadura brasileira\, que durou 21 anos. A curadoria é dos arquitetos Paula Dedecca\, Victor Próspero\, João Fiammenghi\, Magaly Pulhez\, e José Lira. A entrada é gratuita. \n\n\n\nA mostra procura refletir sobre as complexas e intensas transformações do território nacional em suas diversas escalas entre 1964 e 1985\, a partir de documentação da época e material audiovisual. Para os curadores\, muito do que vemos ao nosso redor foi construído durante o regime militar. O espaço se transformou profundamente de conjuntos residenciais à expansão das periferias urbanas\, das estradas e barragens construídas nos quatro cantos do país a viadutos e avenidas presentes nas metrópoles\, de edifícios modernos icônicos a estruturas espaciais ordinárias\, da destruição das marcas da história à construção das cidades novas pelo território nacional. A exposição busca apresentar um panorama de transformações radicais na paisagem brasileira durante o período\, refletindo sobre suas contradições e seus impactos sociais e ambientais. \n\n\n\nPromovida com recursos do Programa de Ação Cultural de São Paulo (ProAc) do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura e Economia Criativa\, a mostra se apoia sobretudo em registros audiovisuais de época\, como reportagens\, fotografias\, filmes\, desenhos e diapositivos\, contando também com documentos e cadernos técnicos de planos do período. Este vasto material resulta de pesquisas em diversos Arquivos Públicos e coleções institucionais e privadas.  \n\n\n\nOs eixos principais da temática exposta conformam um percurso por planos de dimensão territorial\, práticas extrativistas\, grandes empreendimentos hidrelétricos\, obras de infraestruturas metropolitanas e rodoviárias\, assim como pelo processo de urbanização massiva pelo qual passaram as capitais em todo o país. Os curadores compreendem tais eixos como dinâmicas entrelaçadas\, e testemunhos de um elemento fundamental da construção e reprodução daquele regime autoritário. A reflexão sobre o ambiente construído em que vivemos enquanto documento da história política recente vem a somar com os esforços de luta por memória\, verdade e justiça\, adicionando camadas para a compreensão de um período sombrio do país. \n\n\n\nTexto | Sandra Lima
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LOCATION:Centro MariAntonia da USP\, Rua Maria Antônia\, 258 – Vila Buarque\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Rock and Roll - Bosco Sodi e os objetos de interesse" no Museu Casa das Rosas
DESCRIPTION:Bosco Sodi\, Sem título (detalhe)\, 2024 © Edouard Fraipont\n\n\n\nO artista mexicano Bosco Sodi apresenta sua primeira exposição individual Rock and Roll – Bosco Sodi e os objetos de interesse\, na Casa das Rosas\, museu da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, e gerenciado pela Organização Social Poiesis. A mostra tem início no dia 20 de março e a entrada é gratuita. Conhecido mundialmente pela pesquisa com materiais de origem natural e práticas que resgatam sua ancestralidade\, Bosco Sodi reúne cerca de 20 obras\, entre pinturas\, esculturas e instalações\, como Harmless deception [engano inofensivo]\, The stars are alive [as estrelas estão vivas]\, All we gotta do is surrender [tudo o que podemos fazer é nos render]\, que questionam a história das Américas e todo o passado colonial dos continentes. \n\n\n\nOs países pertencentes às Américas do Norte\, Sul e Central desenvolveram-se à medida que os determinados contextos (geográfico\, social\, político e econômico) permitiram\, mas tiveram em comum um norteador: o sistema colonial europeu. O processo de colonização dessas regiões deixou marcas profundas na sociedade\, que reverberam até os dias atuais\, como padrões econômicos e políticos que perpetuam a desigualdade social e a discriminação contra os povos originários e de origem africana. Dessa forma\, para a exposição Rock and Roll – Bosco Sodi e os objetos de interesse o artista utiliza elementos fundamentais para representar os objetos de interesse da exploração e dos conflitos que moldaram a colonização do Novo Mundo: terra\, café\, açúcar\, madeira\, ouro\, tabaco\, sangue e sal. \n\n\n\nPromover este debate tendo como plano de fundo a história da Casa das Rosas\, ícone arquitetônico de uma época\, e a história da avenida Paulista\, símbolo de riqueza e da economia cafeeira\, é uma forma de reconhecer nosso passado e resgatar as camadas de significado histórico\, social e econômico. Justamente pensadas para a ocasião\, as obras promovem um diálogo contundente\, ou até controverso\, com a arquitetura neoclássica da antiga residência\, da mesma forma quando realizou a mostra What goes around\, comes around\, na Fondazione dell’Albero d’Oro\, em ocasião da Bienal de Veneza\, em 2022. A arquitetura sempre representou um elemento importante para Bosco Sodi\, que geralmente desafia a estética que envolve os locais onde trabalha. Em Oaxaca\, litoral mexicano\, o artista mantém a Casa Wabi\, um espaço filantrópico projetado pelo arquiteto japonês Tadao Ando\, que incorpora a filosofia japonesa wabi-sabi e prima pela simplicidade e o contato com a natureza. Esse local é berço para a maioria de suas produções e o inspira a explorar os materiais de origem natural. \n\n\n\nA argila é o elemento catalisador da mostra\, utilizada em quase todas as obras de Rock and Roll – Bosco Sodi e os objetos de interesse. Em uma das principais instalações\, o artista utilizou o material para produzir dezenas de pequenas esferas\, nas quais\, não à toa\, fincou ramos de rosas. Esses pequenos “bulbos esmaltados de rosas” formam uma grande instalação que ocupa todo o espaço de uma das principais salas do segundo pavimento. Também ocupando uma outra sala\, uma grande instalação reúne mais de trinta esferas de argila agrupadas\, que remetem à resistência e à sobrevivência das culturas e dos conhecimentos ancestrais. Elas foram todas produzidas à mão e propositalmente assumem a imperfeição do gesto e dos processos de secagem e queima que sofrem. A exposição ainda reúne um conjunto de pinturas em sacas de café brasileiro\, a exemplo de uma das séries mais icônicas de Bosco Sodi\, onde ele utiliza sacas de armazenamento de pimenta\, iguaria tradicional no México. Essas pinturas chamam a atenção pelas tonalidades de verde vivo\, mesma cor usada para as pinturas texturizadas de materiais orgânicos. Na mostra\, o artista propõe um contraste estético com outras duas obras a partir de rochas naturais. Enquanto uma apresenta as pedras revestidas com ouro\, remetendo-se aos objetos preciosos de desejo\, outras foram pintadas em vermelho vivo cor de sangue. Uma complementando a outra dentro da história da colonização brasileira. \n\n\n\nBosco Sodi cria um contraponto do processo ao subverter o questionamento sobre os instrumentos de colonização atuais\, daí o conceito do Rock como mais um objeto de interesse na exposição. A metodologia do artista espelha a autenticidade e a energia do que produz sob a dualidade libertadora e colonizadora do rock and roll\, capturando o espírito do tempo com uma presença e objetividade que desafiam convenções. Todas as obras são intituladas com trechos de canções de rock americanas. O rock hoje exerce um papel fortíssimo como arma de colonização e controle. O curador Marcello Dantas explica que “o artista propõe ao visitante uma busca por evidências incrustadas na nossa memória coletiva de como as mentes vão sendo colonizadas\, desafia a ver além da superfície\, a sentir a textura complexa da história e a reconhecer o poder da arte como uma ferramenta para questionar\, conectar e curar.”
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SUMMARY:"Arte na moda: MASP Renner" no MASP
DESCRIPTION:Sonia Gomes + Gustavo Silvestre\, Vestido 3 (detalhe)\, 2020. Foto: Cassia Tabatini\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 22 de março a 9 de junho de 2024\, a mostra Arte na moda: MASP Renner\, que ocupa o 2o subsolo do museu. Com curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP\, e Leandro Muniz\, curador assistente\, MASP\, a exposição reúne pela primeira vez todos os trajes criados por diferentes duplas de artistas e estilistas durante três temporadas\, realizadas entre 2017 e 2022. O projeto reflete sobre o conceito de moda como campo de conhecimento\, articulação e estudo\, além de traduzir\, por meio das  \n\n\n\nindumentárias criadas a partir de uma pluralidade de temas e linguagens\, a diversidade cultural do acervo de obras de arte da instituição. A mostra tem patrocínio da Renner\, maior varejista de moda omni do Brasil.  \n\n\n\nDesde a fundação do museu\, a moda é uma linguagem considerada relevante para as atividades da instituição. Pietro Maria Bardi (1900-1999)\, diretor-fundador do MASP no início da década de 1950\, junto de Lina Bo Bardi (1914-1992)\, arquiteta responsável pelo projeto do atual edifício do museu\, tiveram um papel fundamental na concepção e elaboração de uma série de atividades ligadas à moda\, como a implementação de uma coleção de indumentárias\, proveniente de doações esporádicas\, chamada à época de “Seção de costumes”\, além de organizações de desfiles de moda. Já na década de 1970\, a coleção Rhodia\, criada a partir de colaborações entre artistas e estilistas\, foi incorporada ao acervo do museu em 1972. Atualmente\, o acervo do MASP possui cerca de 600 itens ligados ao vestuário.  \n\n\n\nA parceria entre artistas e estilistas foi o ponto de partida para a expansão da coleção de moda do MASP\, sob a direção artística de Adriano Pedrosa\, e as peças foram produzidas diretamente para o acervo\, sem usos ou circulação prévios. Essa característica sugere a reflexão sobre a roupa como obra de arte\, e não apenas como documento histórico ou item autoral que passa a integrar acervos após seus usos. Nesse sentido\, a coleção MASP Renner possui uma característica que a difere da coleção MASP Rhodia\, em que as peças haviam sido usadas para desfiles e campanhas publicitárias e só posteriormente foram incorporadas ao acervo do museu. \n\n\n\nMuniz reflete sobre a função das peças: “a nossa relação com as roupas produzidas para o projeto é projetiva: têm as escalas do corpo e um forte apelo tátil\, evocam sensações e movimentos\, mas não podemos vesti-las. Elas deixam de ser objetos funcionais para se tornar objetos de reflexão\, sobretudo acerca da própria roupa\, de seus sentidos históricos\, sociais\, dos códigos que carregam e de suas possibilidades simbólicas”.
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SUMMARY:"Mário de Andrade: duas vidas" no MASP
DESCRIPTION:Tarsila do Amaral\, Retrato de Mário de Andrade (detalhe)\, 1922. Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. Foto: Eduardo Ortega\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 22 de março a 9 de junho de 2024\, a mostra Mário de Andrade: duas vidas\, que ocupa o mezanino localizado no 1o subsolo do museu. Com curadoria de Regina Teixeira de Barros\, curadora coordenadora\, MASP\, e assistência de Daniela Rodrigues\, assistente curatorial\, MASP\, a exposição reúne um conjunto de pinturas\, desenhos\, gravuras\, esculturas e fotografias da coleção pessoal do intelectual brasileiro\, ativo na primeira metade do século 20\, a partir da perspectiva de uma sensibilidade queer. A mostra tem patrocínio da Lefosse e apoio cultural do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP). \n\n\n\nMário de Andrade (São Paulo\, 1893–1945) é um ícone da literatura e do modernismo no Brasil\, além de ser um dos escritores mais estudados do país. Em sua faceta pública\, foi contista\, músico\, poeta\, professor\, romancista\, crítico e historiador das artes plásticas\, da música e da literatura\, além de agente cultural\, colecionista e jornalista. Autor de Pauliceia desvairada (1922) e Macunaíma (1928)\, participou da Semana de Arte Moderna (1922) e dedicou-se a registrar\, estudar\, preservar e divulgar as mais diversas manifestações culturais do país\, tanto eruditas quanto populares. Esteve à frente do Departamento de Cultura e Recreação da Municipalidade de São Paulo (1935-1938) e criou o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) (1937)\, o primeiro órgão do gênero.  \n\n\n\n“Passados quase 80 anos da sua morte\, a produção intelectual de Mário de Andrade sobre música\, artes visuais e arquitetura\, seus romances\, contos e poemas\, além dos levantamentos etnográficos realizados pelo artista\, foram e continuam sendo centrais para a compreensão do modernismo no Brasil e para a construção de uma ideia de brasilidade”\, elucida a curadora coordenadora\, Regina Teixeira de Barros. \n\n\n\nAtravés da perspectiva de uma sensibilidade queer\, a exposição Mário de Andrade: duas vidas apresenta um recorte de 88 obras – entre pinturas\, desenhos\, esculturas e fotografias – do acervo do intelectual\, hoje sob a guarda do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). A mostra reflete sobre itens da sua coleção de artes plásticas e fotografias com os quais conviveu em sua intimidade\, longe dos olhos da censura e dos preconceitos vigentes na época. A “tão falada homossexualidade” de Mário de Andrade\, como descrita pelo artista em uma carta enviada a Manuel Bandeira em 1928\, tornou-se objeto de estudo somente em 2015\, quando todos os seus escritos caíram em domínio público e sua produção literária começou a ser analisada à luz de suas preferências homoafetivas\, um assunto considerado tabu até então.  \n\n\n\nA ideia de “duas vidas”\, subtítulo desta exposição\, aparece em diversos escritos do autor e exalta a dualidade vivida por Andrade\, entre a vida profissional e pessoal. “Mário se qualifica ora como um ‘vulcão controlado’\, ora tomado por uma ‘feminilidade passiva’; oscila entre ser um pansexual casto (!) e um monstro libidinoso”\, ressalta Teixeira de Barros. Em carta para Oneyda Alvarenga\, o intelectual afirma: “Eu sou um ser como que dotado de duas vidas simultâneas\, como os seres dotados de dois estômagos. O que mais me estranha é que não há consecutividade nessas duas vidas”. 
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SUMMARY:"Francis Bacon: a beleza da carne" no MASP
DESCRIPTION:Francis Bacon\, Two Figures with a Monkey [Duas figuras com um macaco]\, 1973. © The Estate of Francis Bacon. Todos os direitos reservados. AUTVIS\, Brasil / DACS/Artimage\, Londres 2024\n\n\n\nO MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta\, de 22 de março a 28 de julho de 2024\, Francis Bacon: a beleza da carne\, que ocupa o espaço expositivo no 1o andar do museu. Com curadoria de Adriano Pedrosa\, diretor artístico\, MASP\, Laura Cosendey\, curadora assistente\, MASP\, e assistência de Isabela Ferreira Loures\, assistente curatorial\, MASP\, a exposição pretende evidenciar como o artista\, com sua pintura inovadora e impactante\, abriu caminhos para a presença queer na cultura visual. \n\n\n\nCobrindo mais de quatro décadas de trabalho do britânico\, a mostra\, com patrocínio master do Nubank e patrocínio da Vivo\, reúne mais de vinte obras de Bacon\, desde as décadas iniciais de sua produção até os anos 1980\, e é acompanhada de um catálogo com ensaios inéditos. As obras provêm de empréstimos de museus como Tate (Inglaterra)\, MoMA (Nova York)\, Metropolitan Museum (Nova York)\, Museum Boijmans van Beuningen (Países Baixos)\, Museu Tamayo (México)\, Fondation Beyeler (Suíça)\, Stedelijk Museum (Países Baixos)\, entre inúmeras outras instituições de renome internacional e coleções particulares.  \n\n\n\nFrancis Bacon (Dublin\, Irlanda\, 1909—1992\, Madrid\, Espanha) é considerado um dos mais importantes pintores da arte do século 20\, com mais de seis décadas de produção. Filho de pais ingleses\, teve uma infância difícil\, em um ambiente familiar violento. Aos dezesseis anos\, foi expulso de casa por seu pai e\, após passar um período em Berlim e em Paris\, fixou-se em Londres a partir dos anos 1930\, onde iniciaria sua carreira como artista. Bacon construiu uma obra contundente e marcante\, tornando-se um nome fundamental para a renovação da pintura figurativa. \n\n\n\nO artista voltou-se especialmente para as figuras masculinas\, seu objeto de desejo\, em retratos e nus. A exposição apresenta retratos de homens com quem ele teve relacionamentos marcantes\, como Peter Lacy (1916-1962) e George Dyer (1934-1971)\, além de outras figuras importantes em sua vida\, como seu companheiro próximo John Edwards.  \n\n\n\nO título da mostra\, A beleza da carne\, faz referência a um relato do artista em uma das entrevistas conduzidas pelo crítico de arte e importante interlocutor ao longo de sua carreira\, David Sylvester. Bacon conta que\, ao se deparar com a vitrine de um açougue\, refletiu: “[…] enquanto pintor\, devemos lembrar que há essa grande beleza na cor da carne. […] Nós\, obviamente\, somos carne\, somos carcaças em potencial. Quando vou a um açougue\, sempre penso que é surpreendente que eu não esteja lá no lugar do animal”.  \n\n\n\nA fisicalidade do corpo é traduzida pelo artista em texturas espessas e oleosas\, conferindo às figuras formas quase abstratas. As pinturas de Bacon reúnem em si uma grande variedade de fontes iconográficas\, revisitando temas canônicos e combinando referências da história da arte com suas experiências pessoais e percepções sobre o corpo masculino. \n\n\n\n“Seja em suas obras iniciais\, que muitas vezes transgrediam símbolos da cristandade\, ou naquelas que retratavam nus masculinos\, a fisicalidade do corpo também é matéria central de sua obra”\, analisa a curadora Laura Cosendey. “Essa simbologia da carne por Bacon condensa em si extremos: o espiritual e o animal\, o frescor e a putrefação. Ela é a própria materialidade de nossa existência ‘em carne e osso’\, mas também é ícone do desejo carnal\, do instinto natural do corpo”\, finaliza.
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SUMMARY:"Romper o dia\, crack of dawn" de Tatiana Chalhoub na Fortes D'Aloia & Gabriel
DESCRIPTION:Tatiana Chalhoub\, Precipitação (detalhe)\, 2024. Ph: Eduardo Ortega. Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel\, São Paulo/Rio de Janeiro\n\n\n\nRomper o dia\, crack of dawn\, a primeira exposição da artista carioca Tatiana Chalhoub em São Paulo abre no dia 23.03\, na Fortes D’Aloia & Gabriel.  \n\n\n\nA produção de Chalhoub é estruturada segundo os parâmetros técnicos e formais da pintura e extrapola o plano bidimensional por meio da cerâmica\, em relevos de superfície acidentada. A sua técnica incorpora o acaso e a imprevisibilidade da prática de ateliê\, projetando soluções pictóricas a partir de quebras\, ruídos e desvios de processo. Peças de acetato\, cacos de cerâmica\, retalhos de tela\, fragmentos e resíduos são processados em reinterpretações da natureza\, da história da arte ou de anotações mentais\, reunindo pedaços díspares num mundo marcado por matizes líquidos e tons aquáticos.  \n\n\n\nEm suas obras\, a artista emprega cerâmica pigmentada tanto em colagens quanto como superfície para pintura\, com acabamentos esmaltados ou oxidados que ganham contornos de paisagem ou natureza morta. De peças em pequena escala a pinturas maiores sobre placas refratárias e colagens de grandes dimensões\, a artista atravessa escalas heterogêneas e diferentes abordagens da imagem. Os trabalhos trazem representações do mundo botânico\, e traduzem em matéria as qualidades sensíveis de ambientes ao ar livre. \n\n\n\nO título da mostra alude à presença da fratura como técnica\, mas guarda também outros sentidos. Além da recorrência de fendas\, rachaduras e craquelados sobre cada superfície\, a consistência liquefeita das pinturas e dos esmaltes em numerosas camadas despertam ambiências simultaneamente quentes e frias\, escuras e luminosas\, como nos primeiros instantes da manhã.
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LOCATION:Fortes D’Aloia & Gabriel\, R. James Holland\, 71 - Barra Funda\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Antes do presente" de Rodrigo Matheus na Fortes D'Aloia & Gabriel
DESCRIPTION:Rodrigo Matheus\, Antes do presente [detalhes]\, 2024. Ph: Eduardo Ortega. Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel\, São Paulo/Rio de Janeiro\n\n\n\nAntes do presente\, a primeira exposição individual de Rodrigo Matheus com a galeria desde 2018\, abre no dia 23 de março na Fortes D’Aloia & Gabriel\, em São Paulo. A mostra é uma instalação imersiva onde o artista costura cenas de um tempo ambíguo\, entre o passado remoto\, o futuro distante e o presente suspenso entre eles. Compondo a obra com espículas de aço e cabelo sintético\, Matheus investiga noções de começo e fim\, da formação telúrica da Terra à contaminação e degradação do meio-ambiente. \n\n\n\nPor meio da produção de um sítio arqueológico especulativo\, Rodrigo Matheus dobra a linha do tempo que nos conecta aos idos remotos da representação\, criando um tableau panorâmico onde coexistem diferentes temporalidades sobrepostas. O título da exposição faz referência a uma medida de tempo\, empregada em disciplinas científicas para a datação de eventos ocorridos a partir da alteração da composição química do globo pelos experimentos nucleares.  \n\n\n\nO artista converte o espaço expositivo num misto de caverna pré histórica e panorama contemporâneo. Desenhos e grafismos que citam pinturas rupestres\, pictogramas arcaicos e a história da arte moderna negociam sua autonomia em meio a imagens transitivas e saturadas. Num exame das pulsões representativas humanas\, Matheus inclui em seu vocabulário pictórico o desenho de uma girafa encontrado numa caverna no deserto do Saara\, uma cabeça de cavalo da caverna de Chauvet e negativos de mão indonésios de Kalimantan-Bornéu\, que datam de mais de 45.000 anos atrás. O artista assim tece uma crítica à tradição dos saques arqueológicos\, reprocessando a prática como um motor para a criação de espaços híbridos.  \n\n\n\nTal configuração conceitual é uma constante da pesquisa do artista\, cujas esculturas e instalações investigam os regimes de produção do objeto e os modos destes se inscreverem em campos de sentido pelo reprocessamento de bens de consumo. Matheus descortina as estruturas de poder por trás da informação\, transformando a apresentação visual num campo em disputa\, atravessado por vetores plásticos\, simbólicos e sociais.
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SUMMARY:Knopp Ferro na DAN Contemporânea
DESCRIPTION:Knopp Ferro\, Linienschiff Kap 2226\, 2016. Crédito: Divulgação DAN Galeria\n\n\n\nAs esculturas suspensas do cinético Knopp Ferro vão ocupar a Dan Galeria Contemporânea em Levitating Colour. A individual apresenta obras inéditas\, entre desenhos e os marcantes móbiles que desafiam a gravidade e orbitam levemente em movimento contínuo. As esculturas dançantes confeccionadas com hastes metálicas pretas ou de cores vibrantes convidam o público a experimentar diferentes pontos de vista e sensações. A abertura da exposição será em 23 de março\, ocasião em que ocorrerá o lançamento do livro de mesmo nome\, reunindo um conjunto das obras de mais de duas décadas do trabalho do artista austríaco. \n\n\n\nNo início de sua trajetória\, Knopp Ferro fez experimentações buscando um material que pudesse se encaixar melhor com seu processo artístico. O fascínio pela maneira com que o calor e a soldagem criam ligações\, deformações e fusões o aproximou rapidamente do metal. \n\n\n\n“Em contraste com o peso específico do ferro\, busquei leveza com o material até a dissolução da gravidade diante do campo de visão. Isto está ligado à busca da redução\, ao jogo com linhas\, verticais e horizontais e aos espaços resultantes.  Com isso\, novas perspectivas da escultura surgem constantemente\, novos espaços são criados. Portanto\, elas nunca estão concluídas\, mas sempre em processo”\, afirma o artista\, que também faz referência ao livro Obra Aberta\, de Umberto Eco. \n\n\n\n“A tensão estética incorporada nas esculturas suspensas criadas por Knopp Ferro (…) está relacionada com uma questão fundamental na história do modernismo artístico\, em geral\, e na escultura abstrata em particular”\, destaca Matthieu Poirier\, historiador e autor de texto presente no livro Levitating Colour. \n\n\n\nAs hastes metálicas são pintadas inteiramente numa só cor — geralmente em tons fortes\, como vermelho ou laranja neon\, mas por vezes em alguns tons calmos\, como azul ultramarino — e são organizadas em propostas variadas de ativação do espaço e das relações a serem estabelecidas com ele. \n\n\n\nA exposição convida o público para um ambiente submersível\, onde se experimenta a dimensão do processo artístico de Knopp Ferro. Até mesmo os títulos das obras são pensados para expressar o espaço e o tempo nos quais o artista confeccionou as peças.  A aparência das esculturas pode ainda remeter a algumas formas pacíficas\, como árvores e bambuzais ao vento. Um universo cinético único que se reconstrói. \n\n\n\nA escultura de Knopp Ferro é concebida para ser um conjunto de planos e espaços virtuais e articulados que se reconfiguram e se desenham a cada movimento no espaço. Enquanto a Lygia Clark constrói formas articuladas e de movimentos variados (BICHOS)\, mas pré-estabelecidos\, Knopp Ferro reconstrói virtualmente os planos e espaços que se transformam numa variação quase infinita de opções e possibilidades.
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LOCATION:DAN Galeria Contemporânea\, 73 R. Amauri Jardim Europa\, São Paulo\, São Paulo\, Brasil
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SUMMARY:"Leituras" de Thiago Honório na Biblioteca Mário de Andrade
DESCRIPTION:Thiago Honório\, A Vontade de Saber. Foto: Edouard Fraipont\n\n\n\nLeituras | Thiago Honório\, com curadoria de Lilia Schwarcz\, constitui-se numa  exposição individual realizada na Biblioteca Mário de Andrade – BMA\, que recobre o arco temporal de 20 anos da produção do artista mineiro Thiago Honório (Carmo do  Paranaíba\, MG\, 1979)\, a partir de um recorte de 18 trabalhos que tomam o livro como  como matéria\, como lócus para a produção\, discussão e elaboração de enunciados e  questões no âmbito da arte contemporânea. \n\n\n\nA mostra também ocorre em torno das celebrações dos 130 anos do nascimento de Mário de Andrade\, uma vez que a produção do escritor já apareceu em 9 trabalhos do artista Thiago Honório\, a saber: \n\n\n\nEstudo para Leituras  (2015/2018)\, Pauliceia (2018/2024)\, Tarsivaldo (2017)\, Tarsivaldo I\, II\, III\,  (2017/2022) e Memorando (2020). Logo\, gravitando em torno de parte da produção  de Mário de Andrade\, Leituras colige\, ainda\, trabalhos desenvolvidos em diálogo com a produção textual e visual de escritores e artistas como Oswald de Andrade (1890-1954)\, Tarsila do Amaral (1886-1973)\, Flávio de Carvalho (1899-1973)\, Antonio Cândido (1918-2017)\, Manuel Bandeira (1886-1968) e Michel Foucault (1926-1984); e também a partir daqueles livros que foram produzidos com edição e tiragem mais generosas como {[( )]}\, premiado pelo ProAC de 2015\, Augusta – que toma icônica  rua da cidade de São Paulo como matéria –\, e a partir de trocas como DULCINÉIA\,  produzido em colaboração com o coletivo de mulheres catadoras de papel do Glicério\, o Dulcinéia Catadora (naquela ocasião em comemoração aos 10 anos desse coletivo).   \n\n\n\nA expografia e os displays para os trabalhos foram elaborados em colaboração com Sol Camacho\, do escritório de arquitetura RADDAR\, para a apresentação dos 18 trabalhos\, sendo 8 deles inéditos\, e a produção de Ana Helena Curti\, Arte3.  
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LOCATION:Biblioteca Mário de Andrade – BMA\, Rua da Consolação\, 94 – República\, São Paulo\, SP\, Brasil
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SUMMARY:"Lygia Pape: Ação-dentro" na Almeida & Dale
DESCRIPTION:Lygia Pape\, Volante\, 1999. Foto: Almeida & Dale\n\n\n\nFigura central do movimento artístico de fins da década de 1950 conhecido como Neoconcretismo\, Lygia Pape (1927-2004) trabalhou com uma variedade de mídias\, incluindo pintura\, escultura\, gravura\, performance\, instalação e vídeo. Sua obra explora conceitos de espaço\, tempo\, movimento e a ideia de participação do espectador. Embora suas contribuições para a arte contemporânea sejam hoje reconhecidas internacionalmente\, ainda há poucas exposições de sua obra que aprofundam suas especificidades dentro e fora do movimento neoconcreto.  \n\n\n\nCom abertura marcada para o dia 23 de março\, a individual de Lygia Pape: ação-dentro propõe três eixos baseados na observação da obra e das ideias da artista ao longo de sua trajetória: construção\, corpo e sentidos. Estes elementos norteiam a reflexão proposta pela curadora Ana Avelar e pela curadora assistente Laura Rago\, enfatizando a conexão entre formas\, técnicas\, experiências sensoriais\, exploração cromática e espacial\, bem como o pensamento que une aspectos construtivos e sensíveis.   \n\n\n\n“A exposição convida para olhar as complexidades subjacentes à obra de Lygia Pape\, que permeiam sua prática artística ao longo da vida. A partir de sua produção\, queremos entender como as emoções\, sensações corporais e sentidos são apresentados utilizando formas\, construções e signos como veículos para as experiências humanas”\, diz a curadora.         \n\n\n\nA filósofa Susanne Langer e o crítico Mario Pedrosa\, pensadores citados pela artista em seus escritos\, indicam caminhos para esta narrativa. “Entendemos que esses teóricos auxiliaram Pape a conceber sua compreensão sobre uma arte sensível ao mesmo tempo construtiva\, demonstrando um pensamento artístico que se mantém fiel à sua base conceitual\, mas acompanha as atualizações da prática artística na contemporaneidade”\, completa Avelar.       \n\n\n\nA exposição conta com cerca de 50 obras\, entre instalações\, tridimensionais e papeis\, produzidas entre os anos 1950 e 2000. Contando com uma expografia que provoca o deslocamento dos visitantes e aguça a percepção sensível\, a mostra foca no experimentalismo de Pape. Sem um percurso cronológico\, esta individual é um recorte da obra da artista\, atentando para a compreensão da singularidade do seu trabalho e pensamento. 
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LOCATION:Almeida & Dale\, Rua Fradique Coutinho\, 1360 – Pinheiros\, São Paulo\, SP
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SUMMARY:"Gervane de Paula: como é bom viver em Mato Grosso" na Pinacoteca Luz
DESCRIPTION:Gervane de Paula\, Arte aqui eu mato (detalhe)\, 2014. Foto: Jaime Acioli\n\n\n\nAs problemáticas socioambientais e sociopolíticas do Centro-Oeste brasileiro ocupam as trêssalas do segundo andar da Pinacoteca Luz\, com a mostra Como é bom viver em Mato Grosso do cuiabano Gervane de Paula. Sob a curadoria de Thierry Freitas\, 58 obras pontuam os mais de 40 anos da carreira desse artista ativista e multifacetado. São fotografias\, pinturas\, esculturas e instalações que traduzem a potência de um criador em constante ebulição. A mostra segue em cartaz até 1 de setembro. \n\n\n\nSuas primeiras telas\, realizadas entre os anos de 1976 a 1980\, parte delas exibidas nessa individual\, fixam imagens de um Mato Grosso recém-dividido. Thierry observa: “O artista nos apresenta sensíveis interpretações da paisagem cuiabana: o Bairro do Araés – local onde o artista nasceu e reside ainda hoje -\, com suas ladeiras ensolaradas e sua população multiétnica\, está representado em cenas de convívio e festa. Há diversas cenas com mangueiras e cajueiros\, árvores muito comuns nessas ruas naquela época. Não escapa\, também\, o registro social da economia local. São frequentes as cenas de pesca e de mineração\, mas\, principalmente\, as cenas nas quais o gado aparece em profusão\, já evidenciando a potência motriz que o agronegócio viria a tomar nos anos seguintes.” \n\n\n\nEm uma clara demonstração das imbricadas relações entre humanos e bichos na região\, destaca-se As filhas do fazendeiro\, uma tela em que dois jacarés figuram sobre a cama e\, ao fundo\, duas moças observam atordoadas. Como é bom viver em Mato Grosso reflete o aspecto crítico e o humor corrosivo de Gervane que\, inspirado no artista canadense-americano Philip Guston (Montreal\, CA\, 1913 – Nova York\, EUA\, 1980) cujas obras teve contato na 16ª Bienal de São Paulo\, em 1981\, usa\, em algumas de suas criações\, as figuras supremacistas da Ku Klux Klan\, colocando-as num passeio de carro ao Pantanal mato-grossense. \n\n\n\nO artista destaca a relevância da mostra. “Essa exposição é uma das mais importantes da minha trajetória artística\, talvez a mais importante até o momento. Porque é uma mostra individual abrigada em uma das instituições culturais mais importantes do Brasil\, a Pinacoteca de São Paulo. Segundo\, porque a mostra reúne obras de períodos diversos\, algumas inéditas\, jamais exibidas ao público\, compreendendo desde o início da minha carreira artística até a atualidade. Um momento especial\, que permite um breve balanço de quatro décadas de intenso trabalho dedicado à arte.”
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LOCATION:Pinacoteca Luz\, Av. Tiradentes\, 273 – Luz\, São Paulo\, SP
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SUMMARY:"José Bento: Caminho de Guaré" na Pinacoteca Luz
DESCRIPTION:José Bento\, vista da obra Ar\, 2021. Imagem: Thiele Elissa\n\n\n\nA partir de 23 de março\, a Pinacoteca de São Paulo\, museu da Secretaria da Cultura\, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo\, recebe mostra de José Bento. A instalação Caminho de Guaré apresenta três grandes gestos de José Bento\, dois dos quais inéditos e feitos especificamente para ocupar o Octógono\, com curadoria de Lorraine Mendes e Jochen Volz. \n\n\n\nSOBRE A INSTALAÇÃO \n\n\n\nApresentados pela primeira vez\, a escultura Morrotes (2024) é feita do que o artista chama de matéria desintegrada. Trata-se de madeiras de diversas espécies cujas serragens serviram para Bento apresentar massas topográficas diferentes entre si\, seja no tamanho\, cor ou no formato que a madeira toma ao ser partida. Sobretudo na obra Morrotes\, a exposição acaba se tornando uma experiência sensorial e de lembranças. Os visitantes vão perceber nuances aromáticas das diferentes madeiras ali expostas: amarelinho\, bálsamo\, braúna\, caixeta\, itapicuru\, pau-brasil\, pau-pereira\, peroba\, roxinho e vinhático. \n\n\n\nDe qualquer local do Octógono o visitante conseguirá também vislumbrar a obra de maior altura exposta; Arco Íris (2024)\, também inédita é composta por feijões esculpidos de diferentes tipos de madeiras\, densidades e características\, sobrepostas uma a uma\, que saem do chão da Pinacoteca em direção ao céu – uma ponte entre a terra e o cosmos. É um diálogo com a natureza\, tão presente na obra de Bento\, onde o grão é ao mesmo tempo alimento\, cultura\, semente e caminho. Por fim\, a obra Ar (2021) traz esculturas no formato de cilindros de oxigênio\, feitos de madeiras diversas em escala real. Apresentado pela primeira vez na 13ª Bienal do Mercosul em 2022\, o conjunto escultórico traz a ideia de ar represado e da dificuldade de respiração em um mundo que assiste a graves e urgentes mudanças climáticas. Apesar da Bienal ter acontecido em um momento pós-pandêmico\, a obra foi concebida já antes da pandemia. No entanto\, sua apresentação naquele contexto ganhou mais uma camada de significado. \n\n\n\nAs obras expostas – Ar\, Morrotes e Arco Íris – representam\, em si\, um ciclo de vida\, que é a proposta de José Bento para o Octógono. O título que ele deu à exposição\, é o nome pelo qual já foi conhecido justamente o local onde hoje encontra-se a Pinacoteca: O Caminho de Guaré passava pela região da Luz\, é um caminho estabelecido pelos indígenas habitantes de São Paulo antes da chegada dos europeus. Esta escolha mostra como Bento procura localizar sua produção no território em que se situa. “Percorrer o Caminho de Guaré é compreender o espaço em que estamos como lugar de consciência\, reconhecer a presença indígena nesse território e se entender também como parte dessa intrincada trama histórica”\, afirma Lorraine Mendes\, curadora da exposição. \n\n\n\nÉ impossível falar de José Bento sem mencionar sua profunda ligação com a madeira\, que é elemento central de seu estudo e repertório artístico desde os anos 80. Segundo Lorraine Mendes\, Bento tem “uma familiaridade vital com essa matéria”. Uma característica da prática artística de José Bento é a busca por estar sempre ligado ao território\, o que significa estreita relação com o local de origem de sua matéria prima e com pessoas e comunidades que têm em seu ofício a lida com a madeira. O artista constantemente reafirma seu compromisso com a natureza ao utilizar em seus trabalhos apenas madeiras legalizadas\, de origem controlada. “José Bento é um artista profundamente comprometido com a forma\, com método e também matéria – e tudo isso vem como veículo para a sua própria narrativa poética”\, afirma Lorraine Mendes. \n\n\n\nA instalação José Bento: Caminho de Guaré tem o patrocínio de Cescon Barrieu\, na cota Prata.
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SUMMARY:"Que país é este? A câmera de Jorge Bodanzky durante a ditadura brasileira\, 1964-1985" no IMS Paulista
DESCRIPTION:Jorge Bodanzky\, Incêndio em ônibus\, MG\, c. 1970. Acervo Instituto Moreira Salles.\n\n\n\nFotógrafo\, repórter e cineasta\, Jorge Bodanzky (1942) é autor de ampla produção visual\, dedicada a investigar a cultura popular e os conflitos do país. Ao longo de sua carreira\, percorreu o Brasil para registrar histórias\, personagens e lutas sociais\, principalmente as que aconteciam fora dos centros urbanos. Durante o período da ditadura militar\, viajou sobretudo para as regiões Norte e Nordeste\, retratando a violência no campo e a devastação ambiental causadas pelas políticas desenvolvimentistas dos governos autoritários. Enfrentando a censura e a falta de financiamento nacional\, concebeu obras que questionavam a ideia do progresso propagandeada pela ditadura e mostravam a realidade do país\, além de tensionarem os limites entre o documentário e a ficção. \n\n\n\nReunida pela primeira vez\, a produção do cineasta feita nesse período é o tema da exposição que o IMS Paulista inaugura no próximo sábado (23 de março). Intitulada Que país é este? A câmera de Jorge Bodanzky durante a ditadura brasileira\, 1964-1985\, a mostra exibe trechos dos sete filmes dirigidos pelo cineasta no período\, comoIracema: uma transa amazônica(1974)\, codireção de Orlando Senna\, Jari (1979)e Terceiro milênio (1980)\, dirigidos em parceria com Wolf Gauer. A seleção apresenta ainda fotografias e projeções em super-8 feitas por Bodanzky\, que integram o acervo do IMS\, entre outros materiais. A curadoria é de Thyago Nogueira\, coordenador do departamento de fotografia contemporânea do IMS\, com assistência de Horrana de Kássia Santoz e pesquisa de Ângelo Manjabosco e Mariana Baumgaertner. No dia da abertura (23/3)\, às 11h\, haverá um debate com Bodanzky e a equipe de curadoria. O evento tem entrada gratuita e interpretação em Libras. Em abril\, o cinema do IMS Paulista exibe uma programação de filmes de Bodanzky\, em diálogo com a exposição (detalhes abaixo).
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SUMMARY:"Vênus Ancestral" de Celeida Tostes Barcellos na Galeria Superfície
DESCRIPTION:Celeida Tostes. Imagem: Cortesia Galeria Superfície\n\n\n\nA Superfície tem o prazer de apresentar Vênus Ancestral\, primeira individual dedicada ao trabalho de Celeida Tostes em São Paulo. Com texto de Pollyana Quintella\, a mostra retoma a importante trajetória da artista que dedicou a vida ao diálogo entre arte e educação\, ampliando o pensamento no campo da escultura.  \n\n\n\nCeleida Tostes elegeu o barro como matéria-prima e suporte para suas experimentações\, distanciando-se do percurso de colegas vanguardistas para desbravar a própria linguagem artística através da cerâmica. A artista trabalhou na construção de uma metodologia pedagógica que convidava alunos à pesquisa intuitiva e consciência corporal. Desenvolveu a Oficina de Artes do Fogo e transformação de materiais no Parque Lage\, onde lecionou por mais de vinte anos. A consolidação de sua pesquisa aconteceu em um projeto no Morro do Chapéu da Mangueira\, em 1980\, que visava a descoberta da matéria através do fazer\, instigando os alunos ao resgate de suas próprias linguagens criativas. \n\n\n\nA relevância de sua atuação como artista abriu espaço para que Celeida Tostes participasse de exposições importantes no cenário nacional e internacional. Além de apresentar Projeto Gesto Arcaico (1990-91) na 21ª Bienal de São Paulo (1991)\, a artista foi a representante brasileira da coletiva Arquitetura de Terra ou O futuro de uma Tradição Milenar (1981) organizada pelo Centre Georges Pompidou no Musée d’Art Moderne de Paris e que\, posteriormente\, itinerou para outras importantes instituições\, como o MAM Rio\, o MASP e a Fundação Calouste Gulbelkian\, em Lisboa.  Em 1996\, pouco após seu falecimento\, Celeida Tostes foi homenageada na II Bienal Barro de América\, em Caracas. \n\n\n\nSua prática artística espelha os princípios que desenvolveu nas salas de aula: de forte caráter experimental\, a produção de Celeida atesta para sua pedagogia emancipatória\, coletiva\, conectada aos sentidos e aos elementos. Tema e matéria-prima se complementam: a terra e o feminino\, bem como as temáticas relacionadas a eles — orgânico\, fertilidade\, sexualidade\, maternidade\, nascimento e morte —\, são fios condutores da obra da artista que transforma o barro em corpos cerâmicos. Dentre as quase 30 obras presentes\, a exposição apresenta: Vênus e Guardiões\, que aludem\, respectivamente\, ao feminino e masculino\, ao útero e ao falo\, a gestação e ao movimento; Selos\, trabalho que assinala aspectos importantes de sua produção\, como a multiplicidade de assinaturas e a ideia de circuito; Amassadinhos\, obra-síntese de sua produção\, originada a partir do que a artista denominou Gesto Arcaico\, o ato reflexo de fechar a mão sobre qualquer matéria.  \n\n\n\nCom uma trajetória que desafia a dinâmica do mundo da arte\, Celeida Tostes usava de seu fazer artístico como ferramenta de transformação social\, levando o trabalho para além da performance individual ou da construção do objeto. Vênus Ancestral tem abertura prevista para o dia 23 de março de 2024 e permanece em cartaz até 18 de maio.
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LOCATION:Galeria Superfície | Oscar Freire\, Rua Oscar Freire\, 240 - Jardim Paulista\, São Paulo\, SP
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SUMMARY:"Lampejar" de José Bechara no Instituto Artium de Cultura
DESCRIPTION:José Bechara\, Vista da exposição Lampejar. Foto: João Caldas\n\n\n\nO Instituto Artium de Cultura inaugura a exposição Lampejar\, individual do artista carioca José Bechara. A mostra faz um recorte da produção recente de Bechara\, que acumula mais de 30 anos de carreira. \n\n\n\nCom apoio da Galeria Marília Razuk\, a exposição inclui trabalhos da série Dancing in my room\, na qual Bechara criou obras de pequenos formatos\, superfícies que exploram cores altas e sólidas e que insistem em um transbordamento para além da métrica a que estão limitadas. \n\n\n\nA mostra também traz peças tridimensionais da série Esculturas gráficas: Allen Allen grande\, em alumínio e pintura fluorescente e Super Oxy em aço SAC. São esculturas constituídas por elementos geométricos de diferentes massas e medidas\, ordenados por gravidade e que propõem reflexão sobre o vazio na medida em que\, combinando sólidos cheios e vazios\, sugerem “desenhar” no espaço real. \n\n\n\nA exposição reúne um conjunto de pinturas nas quais a tradição geométrica\, que usualmente afirma um mundo ideal\, cede lugar a uma crise de certezas e elogia outros aspectos\, mais ligados à condição humana: as imperfeições desse mesmo mundo constituído por dúvidas\, receios e falhas. \n\n\n\n“Minha relação com a geometria guarda a vontade de revelar defeitos do mundo real\, de corroer certezas e danificar as matemáticas”\, detalha José Bechara.
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LOCATION:Instituto Artium de Cultura\, Rua Piauí\, 874 - Higienópolis\, São Paulo\, SP\, Brasil
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