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“Viúvas, Órfãos e Peregrinos” de Henry Krokatsis na Galeria Leme

17 maio - 10:00 até 16 agosto - 19:00
Henry Krokatsis, “Antiphony”, 2025. Divulgação Galeria Leme

A Galeria Leme apresenta “Viúvas, Órfãos e Peregrinos”, exposição individual do artista britânico Henry Krokatsis, em cartaz de 17 de maio a 16 de junho de 2025. A abertura acontece no sábado, 17 de maio, às 14h. Com 11 obras do artista, a mostra marca seu retorno ao Brasil após doze anos.

Em “Viúvas, Órfãos e Peregrinos”, Krokatsis traz ativamente os marginais para o centro. O próprio título alude àqueles frequentemente relegados à periferia da sociedade, ao mesmo tempo em que faz referência a um segundo significado: na diagramação tipográfica, chamam-se “viúvas” e “órfãos” as linhas ou palavras que se separam do corpo principal do texto.

A obra de Krokatsis convida à reavaliação de materiais que são, por si próprios, descartes. Trabalhando principalmente com espelhos encontrados—geralmente adquiridos em lojas de segunda mão e feiras de antiguidades—o artista busca reinterpretar, reposicionar e revalorizar objetos que, metaforicamente, “perderam seu brilho”.

Krokatsis se interessa pelos paralelos entre a história do mundo moderno e a dos espelhos, especialmente nos ciclos de obsolescência e desvalorização material. A fabricação de espelhos já foi um ofício místico, profundamente ligado à ciência e à astronomia. No entanto, durante o século XX, técnicas artesanais foram rapidamente substituídas por métodos baratos e industrializados. A introdução generalizada de espelhos nos lares britânicos, na segunda metade do século passado, banalizou aquilo que já foi símbolo de luxo e status. O que antes era um objeto de prestígio tornou-se uma superfície comum—que mancha facilmente e frequentemente acaba descartada em depósitos e brechós. Ao incorporar esses objetos em suas obras, o artista prolonga seu ciclo de vida e lhes atribui novo valor. Esses espelhos, muitas vezes imperfeitos, são tratados como pinturas, sendo cortados e moldados para formar novas realidades visuais.

O verso do espelho é outro elemento compositivo importante. Como explica o artista, os espelhos são produzidos com uma camada de prata selada atrás de uma placa de vidro, criando a superfície reflexiva. Seus fundos são então cobertos com diversos materiais práticos, revelando uma gama surpreendente de cores—do laranja cádmio aos marrons e vermelhos acobreados, até azuis metálicos. Ao ativar o lado “inútil” do objeto descartado, Krokatsis revela uma narrativa diferente—vinculada à espiritualidade e à proteção.

No entanto, Henry Krokatsis convida o espectador a olhar de novo, a olhar por trás da cortina, a atribuir valor ao que foi deixado de lado. Ao usar espelhos para propor essa reflexão, ele aponta para a presença de nuances e significados naquilo que se passa despercebido, à margem da vida cotidiana.

Detalhes

Local

  • Galeria Leme
  • Av. Valdemar Ferreira, 130 - Butantã
    São Paulo SP