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SUMMARY:"Um galo sozinho não tece uma manhã" de Guglielmo Castelli na Mendes Wood DM
DESCRIPTION:Guglielmo Castelli\, “Moleque”\, 2024. Cortesia do artista e Mendes Wood DM. Crédito da imagem: Nicola Morittu\nMendes Wood DM apresenta Um galo sozinho não tece uma manhã\, a primeira exposição de Guglielmo Castelli no Brasil. \nPintor de Turim\, Castelli aprimorou seu ofício durante sua formação acadêmica em cenografia – disciplina que moldou sua prática pictórica\, especialmente na forma como representa espaços e interiores arquitetônicos. Embora sua estética esteja enraizada nesse contexto\, uma crítica à cultura burguesa marca seu horizonte intelectual. A superfície pictórica não é expressão de mera virtuosidade técnica\, mas um campo de batalha no qual Castelli compreende a cultura ao seu redor: o peso do legado\, a relação entre a alta cultura e o conservadorismo em contraposição ao popular\, e a possibilidade de uma ruptura total. \nA exposição toma seu título de um verso do poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto: Um galo sozinho não tece uma manhã. O verso aparece em A educação pela pedra\, coletânea publicada em 1966\, quando o Brasil era governado por uma ditadura militar que reprimia artistas e intelectuais com violência crescente nos anos subsequentes. A metáfora do galo\, que só consegue anunciar a claridade da manhã se acompanhado de vários outros\, mostra-se perene – um tributo à coletividade e à colaboração\, que ressoa também com um princípio da abstração geométrica brasileira: o todo é mais do que a soma das partes. \nCastelli aborda a ideia de coletivo por meio de composições espaciais e formais\, expandindo sua prática pela primeira vez em um ambiente imersivo na galeria Mendes Wood DM em São Paulo. Uma plataforma elevada altera a percepção do espectador\, produzindo uma sensação de desorientação que corresponde às perspectivas em suas obras de grande escala. Estar acima do nível do chão cria um efeito de vertigem\, amplificando a natureza desestabilizadora das intervenções espaciais de Castelli. Os desenhos que cobrem o piso abaixo intensificam a consciência do observador acerca de sua própria corporalidade em relação às figuras contorcionistas e fragmentadas do artista. \nInspirando-se em diversas tendências abstratas\, sem se ater a uma única escola\, Castelli traça geometrias de espaços\, figuras e formas por meio de uma espécie de pareidolia (a percepção de padrões familiares em formas abstratas)\, que ele descreve como “liquefação e emergência”. Ao mesmo tempo\, transformações e tensões de caráter revolucionário se desdobram ao longo de seu processo e de suas investigações: “O exercício e a submissão ao poder” é algo que\, em suas palavras\, “nos cerca\, nos condiciona e nos molda\, quer estejamos conscientes disso ou não.” Os trabalhos mais recentes do artista traçam paralelos entre o cenário político brasileiro e debates contemporâneos na Itália\, onde o fascismo ressurgiu. \nAinda assim\, as pinturas de Castelli não apresentam narrativas políticas explícitas. Operando em um nível mais onírico\, ele sobrepõe camadas de tinta a óleo com habilidade\, criando atmosferas turbulentas que remetem à literatura gótica\, com figuras fragmentadas e contorcidas\, máscaras e membros. Diferentemente dos surrealistas\, cuja produção muitas vezes surgia do automatismo ou da exploração do subconsciente\, o método de Castelli parte da abstração e se baseia em reflexões sobre a relação entre forma e substância. Seu trabalho é um envolvimento metódico com a materialidade da pintura\, suas capacidades de distorção e seu potencial de revelar estruturas no caos. \nAs novas obras\, que refletem a primeira visita de Castelli ao Brasil\, se distinguem por uma paleta de laranja\, vermelho e amarelo. Pan de Queijo (2024) apresenta uma paisagem urbana desorientadora\, em que a arquitetura é ambígua – pode ser europeia ou colonial – e tem a perspectiva distorcida. O erro proposital na grafia de “pão de queijo” reforça a sensação de deslocamento. A figura central se encontra nesse cenário distorcido\, presa entre estruturas que\, embora familiares\, permanecem instáveis. O questionamento sistemático de Castelli acerca de sua própria herança ressurge de maneira diferente ao ser confrontado com a questão da colonialidade no Brasil. A tela parece perguntar: “Como um olhar moldado pelas convenções artísticas europeias se transforma em um contexto pós-colonial? Como um artista europeu pode abordar criticamente e reformar a cultura europeia a partir do Brasil? Como levar em conta as diferenças de perspectiva?” \nMoleque (2024) presta homenagem ao pioneiro ítalo-brasileiro do modernismo Alfredo Volpi (1896–1988). Suas Bandeirinhas significavam um modernismo ligado à cultura popular. Castelli espalha essas bandeirinhas ao redor de duas figuras – crianças brincando\, um galo e dois cães em briga – evocando uma cena de rua. Nesta obra\, as Bandeirinhas se tornam um dispositivo reproduzível\, semelhante a um grid (ferramenta onipresente do modernismo canônico)\, que também aparece em Oh after\, after (2024). Castelli emprega a Bandeirinha como o grande indicador do modernismo\, mas de um modo voltado ao popular. \nO pensamento em torno do popular surge também em sua escolha de exibir pandeiros de couro antigos\, nos quais ele pintou cenas em miniatura. Em Meia-dia (2024)\, figuras usam redes de borboletas em uma paisagem exuberante; o ato de caçar borboletas parece incongruente com o calor do meio-dia implícito na paleta quente. Meia-noite (2024) retorna a uma paleta mais escura\, retratando uma figura fragmentada em uma escada com projeções fantasmagóricas. Essas obras continuam a busca de Castelli pela relação entre substância e forma. \nUm ensaio de Sofia Gotti acompanha a exposição.
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