
A Gagosian Paris apresenta a primeira exposição dedicada à obra de Tetsuya Ishida (1973–2005) na França. Nascido durante o boom econômico japonês e formado na “década perdida” dos anos 1990 — marcada por recessão severa, deslocamento econômico e desintegração social —, Ishida desenvolveu uma pintura hiperrealista e surrealizante que aborda os traumas de sua geração com precisão psicológica e sociológica. Seus protagonistas são homens de expressão vazia, genérica como as figuras de cartola de Magritte, submetidos a metamorfoses mecânicas e animais: em Sleeping Bagworm (1995), um homem de terno dorme num banco encasulado numa crisálida protetora e perturbadora; em Convenience Store Mother and Child (1996), uma figura desmaiada numa cesta de compras é acalentada e escaneada com leitor de código de barras; em Supermarket (1996), os braços de um homem são substituídos por esteiras rolantes; em Recalled (1998), um cadáver tem cabeça e mãos compartimentadas numa embalagem que combina caixão e caixa de eletrônicos. Bebendo no Realismo Social, no Surrealismo e na cultura popular japonesa, Ishida cria símbolos poderosos da perda de agência individual numa sociedade organizada em torno do trabalho, do consumo e da dependência tecnológica.
