
A exposição é a primeira individual no Brasil da artista guatemalteca Sandra Monterroso, uma das principais vozes da arte contemporânea latino-americana. Guatemalteca de ascendência maia Q’eqchi’, Monterroso constrói uma obra que atravessa performance, pintura, instalação, vídeo e práticas têxteis. Seu trabalho parte da recuperação de conhecimentos tradicionais — muitas vezes apagados por processos coloniais — como forma de resistência, cura e reinscrição simbólica do território e do corpo.
A mostra reúne pinturas da série Composições em estado de calamidade, realizadas com pigmentos naturais produzidos pela própria artista, a partir de materiais como cochonilha e índigo. Nessas obras, uma espécie de névoa acinzentada cobre a superfície pictórica, evocando incêndios, contaminações ambientais, conflitos armados e outras crises globais contemporâneas.
Território sagrado ainda é composta por obras têxteis e escultóricas feitas com fibras naturais — algodão, linho e sisal — tingidas artesanalmente no ateliê da artista, sobretudo com índigo e cochonilha. Esses trabalhos reforçam a dimensão material e simbólica da exposição, na qual o fazer manual, o tempo do corpo e o conhecimento ancestral se afirmam como formas de pensamento e ação política.
