
A Carpintaria apresenta a primeira individual de Tatiana Chalhoub no Rio de Janeiro em uma década, reunindo colagens cerâmicas, relevos em bronze e, pela primeira vez em sua prática, pinturas a óleo em grande escala — que ocupam posição central na mostra. A atmosfera da exposição evoca o anoitecer nas matas urbanas cariocas: sombras que se aprofundam, vida animal em deslocamento na luz que vai morrendo. As pinturas expandem preocupações já presentes em seus trabalhos escultóricos — superfícies táteis, fusão entre imagem e matéria — mas deixam o pigmento fluir com mais liberdade, assumindo contornos de paisagens e naturezas-mortas em composições aquosas e estratificadas. Fragmentos, resíduos e peças soltas são reprocessados em reinterpretações da natureza e da história da arte, compondo um mundo de tonalidades líquidas e atmosferas cambiantes. Destaque para Recorte de Papelão (2026), o primeiro relevo em bronze de grande escala da artista, cujos espaços negativos sugerem repertório de contornos florais que percorre toda a mostra.
