
Na mostra, a artista exibe pinturas que exploram as forças que movem o fazer artístico — como o amor, o desejo, o luto e os vazios — e os vestígios que permanecem após essas experiências atravessarem o corpo. Enquanto pulsão representa o impulso inicial, a necessidade sem nome que move o gesto, rastro é a marca deixada no mundo, quando a tinta registra, como um sismógrafo, intensidades entre o que pode e o que não pode ser dito. A exposição se ancora no período recente em que Julia passou na residência artística em Lisboa (Luz_Air, 2025), quando cor, luz e grafismos de azulejos históricos, somados a relações pessoais e aprendizados daquele período, reorientaram a paleta, o ritmo e a lógica compositiva de sua pesquisa. O retorno trouxe memórias que, aos poucos, deixaram de ser saturadas para rarear em superfícies porosas, onde a vibração se dá por interrupções, repetições e áreas de respiro.
