
A Galeria Luisa Strina apresenta a oitava individual de Marina Saleme (São Paulo, 1958) na galeria, com texto crítico de Galciani Neves. A mostra reúne pinturas que investigam o tempo não como metáfora, mas como estrutura de significação que se edifica com e na paisagem. Com 40 anos de trajetória, Saleme constrói paisagens que prescindem da afirmação do real — composições cambiantes em que massas de cor em azuis, verdes, pretos e vermelhos entram em embate, comprimindo horizontes e produzindo espaços entre opacidade e transparência, permanência e dissolução. O gesto é visível e fica na tela: o processo aceita acasos, refeituras e mudanças de ideia numa mobilização poética onde compactuam gesto, tempo e convivência com as imagens. Ralo propõe que o tempo tem uma dinâmica sem reversibilidade — tudo escoa, se esvai, flui —, em diálogo com o verso de Manoel de Barros: “O tempo só anda de ida”.
