
A Claraboia apresenta a primeira individual de Juliana Lapa (Carpina, PE) em São Paulo, com curadoria de Galciani Neves, em parceria com a Marco Zero. As obras ocupam o espaço formando uma espécie de labirinto que convida o público a percursos sinuosos por entre composições de forte densidade material e cromática. A artista trabalha principalmente sobre compensado preparado com massa corrida policromada: camadas sobrepostas de cor são raspadas com pontas secas, estiletes, bisturis e espátulas em um procedimento que a artista denomina estratigrafia — técnica de conservação e restauro que analisa camadas de pintura que se sucedem no tempo. O resultado são baixos-relevos e reentrâncias que revelam cores e formas em diálogo. Tinta a óleo, acrílica, pigmentos, grafite e uma escrita “a-semântica” — entre a garatuja e o desenho — completam as composições, nas quais mulheres são personagens protagonistas que dançam, voam, amamentam, correm com lobos e incendeiam lamúrias em cenas onde corpo feminino e natureza se reinventam continuamente.
