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SUMMARY:"O ouro e a madeira" na Quadra
DESCRIPTION:Iagor Peres\, da série lampejos\, 2023. Crédito: Filipe Berndt\nO ouro e a madeira \npor Ariana Nuala \nHá uma força latente que emerge ao contemplar a madeira e o ouro\, elementos que não apenas coexistem\, mas se entrelaçam em dimensões simbólicas e materiais\, desafiando as fronteiras de uma existência fragmentada. \nO ouro e a madeira possuem propriedades físicas e geológicas distintas que influenciam seu comportamento tanto na terra quanto nas águas. No mar\, a madeira flutua devido à sua estrutura porosa e leve\, enquanto o ouro\, denso e compacto\, afunda. Essa dinâmica reflete uma interação natural com a gravidade e a densidade da água\, marcando o contraste entre leveza e peso. \nNa terra\, a madeira cresce a partir do solo\, completando um ciclo de vida ao retornar a ele em sua decomposição. Já o ouro também surge do solo\, mas é fruto de processos geológicos profundos e lentos\, moldado por movimentos tectônicos e sedimentação. Encontrado em leitos de rios ou veios rochosos\, o ouro carrega consigo uma aura de permanência\, contrastando com a efemeridade da madeira. \nDialogando com diferentes cosmovisões\, a exemplo da filosofia tradicional chinesa\, onde ambos integram o ciclo dos cinco elementos. A madeira representa a energia que ascende e cria\, sustentando o metal\, que condensa e protege. Esse equilíbrio sugere uma dança de continuidade e reciprocidade\, desafiando a separação entre o rígido e o etéreo\, e inspira práticas medicinais que pulsam vitalidade. Em outra leitura\, no Candomblé de origem iorubá\, essa relação ressoa na união de Oxum e Oxóssi: Oxum\, senhora das águas doces e do ouro\, flui como um rio que nutre e molda; Oxóssi\, orixá da caça e das florestas\, manifesta-se na madeira que sustenta e na flecha que avança. Juntos\, reforçam a ideia de que o valor reside na conexão — entre o que nasce e o que perdura\, entre o brilho do metal e a vitalidade da madeira. \nEderaldo Gentil\, compositor baiano\, nos diz em sua canção chamada O Ouro e a Madeira: “O ouro afunda no mar (no mar) / Madeira fica por cima (por cima) / Ostra nasce do lodo (do lodo) / Gerando pérolas finas”\, este trecho que sintetiza o seu título da música que dá nome à exposição\, atrai uma espécie de materialidade fônica que transcende a forma\, tornando-se vibração. Fred Moten ilumina essa dimensão ao sugerir que os objetos têm voz\, que sua matéria carrega uma auralidade irreprimível. Esse som — um grito ou uma reverberação — rompe hierarquias e desafia dicotomias entre espírito e matéria\, criando uma tessitura que vibra entre o visível e o inaudito. \nNo entanto\, ouro e madeira não são apenas símbolos poéticos ou cosmológicos; são também testemunhas de relações de poder e acumulação que atravessam a história. A leitura histórica destaca as repetições que associam o ouro à riqueza e ao domínio\, carregando em seu brilho as marcas da violência colonial\, do saqueio de territórios e da imposição de sistemas econômicos que reduzem vidas e paisagens a mercadorias. A madeira\, por sua vez\, evoca a retirada de florestas\, a conversão de ecossistemas em bens de consumo e a construção de estruturas que sustentam arquiteturas de poder\, a destruição. \nSob essa perspectiva\, a exposição propõe um jogo sobre o valor\, desafiando as estruturas que o definem\, e que persistem em o orientar. Ouro e madeira\, na história da acumulação\, revelam a lógica de um mundo moldado pela concentração de riquezas\, pela separação entre o que é possuído e quem é privado. \nOs elementos carregam a potência de redesenhar o que consideramos valioso e como nos relacionamos com o mundo. Recusando a insistência histórica\, mas inquietos com as dinâmicas que isolam e subjugam\, somos desafiados a criar formas de convivência e reciprocidade\, assim ouvir o que a madeira e o ouro têm a dizer. As obras neste sentido não devem estritamente se relacionar com esses elementos\, mas conduzem a partir de outras materialidades as divergências entre valor para um mundo – colonial – que se auto degrada e a insistentes caminhadas até o sol que fogem desta destruição. \nartistas: Advânio Lessa\, biarritzzz\, Carla Santana\, Caroline Ricca Lee\, Gilson Plano\, Iagor Peres\, Jonas Van\, Lu Ferreira\, Paula Trojany e Wisrah C. V. da R. Celestino \ncuradoria: Ariana Nuala
URL:https://artequeacontece.com.br/evento/o-ouro-e-a-madeira-na-quadra/
LOCATION:Galeria Quadra\, Rua Barão de Tatuí\, 521\, São Paulo\, SP\, Brasil
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