
“A poética de Lorenzato, como é característico entre os grandes artistas, é singular. Não se filia a nenhum movimento, nenhuma igrejinha, embora dialogue à distância com muita gente. Mas tente enumerar os artistas que inventaram mundos. São poucos. E o de Lorenzato é muito particular. Percorra as muitas paisagens trazidas para esta exposição. Perceba os céus, especialmente as nuvens, ah, as nuvens de Lorenzato, densas, variando em formatos estranhos.
E o que dizer desses troncos de árvores, bambuzais, renques verdes, entrelaçamentos súbitos, urdiduras complexas, que nada têm a ver com a observação da natureza? Há também as pessoas, os boizinhos, todos de caras indefiníveis, coisas que não se dão a ver; e o jogo das cores fazendo nosso olhar brincar de amarelinha, cores, como tudo o mais, baças, sem brilho, obrigando-nos a chegar perto, atraindo nossa atenção para a superfície espessa, convidando-nos a habitá-las.”
— Curador Agnaldo Farias
