“O mergulho de Naïá” de Karola Braga no Museu da Cidade de São Paulo
06/12/2025 -09:00 até 26/07/2026 -17:00


Karola Braga, “O Mergulho de Naiá” 2025. Divulgação.
“Uma ponte entre dois mundos. Metade submersa, metade voltada ao céu, a vitória-régia é um dos seres vegetais mais simbólicos da região amazônica. Combina transformação, erotismo vegetal e inteligência adaptativa, já que caminha de forma desenvolta no hibridismo que a vida lhe proporciona. O fenômeno natural que envolve sua floração é testemunho disso. Composto de duas noites, dois gêneros e duas cores, apresenta-se como uma coreografia entre tempo e luz. É sobre seu vasto universo simbólico e sensorial que se trata O mergulho de Naïá, instalação site-specific criada para o Beco do Pinto | Museu da Cidade de São Paulo pela artista multidisciplinar e pesquisadora olfativa Karola Braga.
Em um ritual amoroso entre planta e inseto, a vitória-régia apresenta-se, na primeira noite de seu florescimento, branca e feminina, exalando um perfume adocicado para atrair os insetos. Na manhã seguinte, ela se fecha, aprisionando esses besouros, cobertos de néctar e pólen, para, no entardecer do segundo dia, reabrir sua flor, agora rosa e masculina, libertando os bichos para polinizarem outras de sua mesma espécie. É nessa noite que a flor afunda nas águas para amadurecer seu fruto e liberar as sementes. Dessa forma, representa uma androgênese vegetal, a flor que contém em si o feminino e o masculino, alternando-os no tempo, unindo luz e escuridão, nascimento e morte, perfume e silêncio. Esse majestoso ciclo ganha uma interpretação poética da artista nesta instalação, na qual se aproveita dos degraus do espaço ao ar livre, localizado no coração de São Paulo, para mergulhar os visitantes entre aromas e perspectivas distintas das flores esculpidas.”
– Trecho do texto curatorial por Ana Carolina Ralston, curadora da exposição.
