
As galerias ArteFASAM e MAMUTE convidam para a abertura da exposição coletiva “No tempo das sutilezas”, em seu espaço em São Paulo, dia 22 de março, sábado, das 11h às 17h. Com curadoria de Giulia França, a mostra mergulha na experiência sensorial do tempo e na suave cadência dos momentos que, ao se somarem, revelam a profundidade das nossas vivências.
“Aqui não há respostas sobre a ordinariedade ou presunção da vida, mas questionamentos: a vida é o que se imagina dela ou o que acontece em seus intervalos não planejados? Seriam os momentos realmente em vão, ou assim parece porque não nos permitimos senti-los?
Como um pomar se transforma ininterruptamente, a vida passa nos instantes efêmeros, sendo construída nos pequenos gestos. Drummond, nos traz a reflexão.
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar
Um homem vai devagar
Um cachorro vai devagar
Um burro vai devagar
Devagar … as janelas olham
Eta vida besta, meu Deus
Numa lírica descomedida, Drummond anuncia a presunção da vida. A ideia do que a vida deveria ser, sobre passos dados por outros sapatos. Mas seria a vida o que acontece, ou o que dela se imagina? Ou seria, ainda, a junção de coisa essa com coisa alguma?
De tudo, é certo que a vida nos escorre pelos dedos, pelos poros da pele, pelas rugas dos olhos, pelo amarelar das folhas e pelos sucessivos crepúsculos do céu. E, de morte em vida, se morre de olhos abertos pela falta da sutileza dos momentos em vão. Mas não são os momentos realmente em vão. São? Porque, nos sussurros das folhas, se nota a fruta a crescer madura, o desenho das sombras no corpo sob o sol a pino e as cores do mundo infindo, voláteis e mutantes pela luz do céu.
É verdade que, para os detalhes dos instantes se mesclarem ao conglomerado de experiências que nos formam, é necessária uma dose de silêncio. Uma aquietação interna para o barulho das certezas. Não há certezas. Pois então, nesse caso, sigamos mais devagar, a desfrutar a efemeridade de nossa passagem.”
Giulia França – Curadora da mostra
A exposição convida o público a explorar um universo de sutilezas, onde o efêmero se revela e a passagem do tempo se transforma em experiência estética. Através da imersão sensível no ciclo da vida, na organicidade das obras e diversidade da paleta de cores, o público é chamado a contemplar momentos que frequentemente passam despercebidos.
