
A Galeria Estação apresenta a primeira individual de Navegante Tremembé em São Paulo, com curadoria de Lucas Dilacerda. Maria de Fátima Andrade de Sousa — nome civil da artista, nascida na Aldeia Varjota, em Itarema, no litoral do Ceará — desenvolve há quase 40 anos uma prática construída a partir do toá, pigmento natural extraído de areias coloridas encontradas entre o mangue, o lagamar e o rio Aracati-Mirim. O processo começa na coleta dos sedimentos, passa pela lavagem e decantação do material e resulta em tonalidades de amarelo, vermelho e branco — paleta que se amplia com a adição de carvão mineral. As cerca de 20 obras reúnem pinturas que retratam elementos do cotidiano e da cosmologia Tremembé: árvores, pássaros, rios, peixes e paisagens do mangue. Após a morte de sua mestra, Maria Rosa Tremembé, Navegante tornou-se a última detentora da técnica do toá em sua aldeia, que hoje transmite a crianças e adolescentes da comunidade. O território de onde o pigmento é coletado enfrenta disputas e transformações ambientais, e a obra da artista opera também como afirmação de identidade e memória diante desse contexto.
