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“Nada duro o bastante para quebrar” de Maria Alice Salgado na Sardenberg

26 janeiro - 11:00 até 26 fevereiro - 17:00
Detalhe de obra de Maria Alice Salgado em exposição na Sardenberg.

Em sua primeira individual em uma galeria — e estreia em São Paulo —, Maria Alice Salgado exibe esculturas em barro que ocupam o chão como um conjunto de presenças: formas biomórficas que se aproximam, se encostam, se acumulam e parecem suspensas num tempo próprio, entre o adormecer ou o despertar. Ricardo Sardenberg assina o texto que acompanha a exposição.

Se no senso comum a cerâmica tende ao acabamento e ao brilho, aqui ela se afirma por outro caminho: queimada e propositalmente deixada sem o pudor do esmalte ou do verniz, a superfície aparece como pele seca e porosa, oferecida ao olhar. Nas palavras de Sardenberg, trata-se menos de uma coleção de objetos do que de um convite a uma experiência de “continuidade e entrega”, em que repetição, contato e desejo organizam uma coreografia silenciosa no espaço expositivo.

O trabalho da artista com argila foi aprofundado a partir de 2020. Trabalhando em casa, e convivendo com a presença do filho pequeno, ela transformou limitações cotidianas em método. “Quando comecei a trabalhar em casa, a questão do esmalte virou uma restrição”, conta. “O esmalte é um pó muito fino, e com bebê em casa, além da queima ser tóxica, eu fui criando essas restrições — meio impostas — e isso me levou a pensar em texturas, em formas, nas cores do barro mesmo.” Essa decisão também puxou uma pesquisa técnica: testar argilas diferentes, aproximar encolhimentos, construir paredes espessas e sustentar intervenções na superfície. “Eu produzia e as deixava em uma prateleira. Mas, quando as coloquei no chão, entendi que elas deixaram de ser apenas objetos inanimados e ganharam esse caráter de ‘seres’.”

Detalhes

Local

  • Sardenberg
  • Tv. Dona Paula, 134 – Higienópolis
    São Paulo São Paulo