
A Nara Roesler São Paulo apresenta individual de Mônica Ventura (São Paulo, 1985) com curadoria de Catarina Duncan, reunindo trabalhos produzidos ao longo dos últimos dez anos ao lado de obras inéditas. O eixo central da exposição é a genealogia crítica do “fetiche” — noção derivada do latim facticius que foi apropriada no contexto colonial para reduzir à superstição os objetos investidos de poder espiritual por povos da Costa do Ouro. A exposição a reinscreve como sistema simbólico, condensação de forças e forma indissociável de práticas, ritos e memórias. A cabaça — também conhecida como cuia, igbá ou poronga — atravessa o percurso como eixo formal e simbólico: presente em cosmologias afro-indígenas como forma matricial, ela aparece em versões que vão do ouro ao aço corten, da madeira carbonizada à cerâmica e à forma natural. Esculturas, pinturas e instalações mobilizam plantas, metais, pigmentos e óleos como agentes ativos, deslocando o espaço expositivo para uma condição híbrida entre laboratório, abrigo e altar.
