
Galerie Christophe Gaillard, em Paris, apresenta Le corps transfiguré, exposição que percorre a obra do francês Michel Journiac (1935–1995), um dos pioneiros do body art e da arte sociológica. Com texto de Armance Léger, a mostra traça o percurso de Journiac desde as primeiras pinturas de iconografia religiosa até as ações e rituais que fizeram do corpo — e do sangue retirado de seu próprio organismo — o principal instrumento e material de sua prática.
Em 1969, Journiac apresenta Messe pour un corps na Galerie Daniel Templon, celebrando uma missa em latim e convidando o público a comungar com pedaços de morcela feita com seu próprio sangue — ação que o consagrou como figura central do body art francês. Ao longo das décadas seguintes, em séries como Rituels e Icônes du temps présent, o sangue torna-se símbolo de uma busca espiritual e metafísica pelo que o artista chamava de “incerto sagrado” — aquilo que a arte, e não mais a religião, seria capaz de alcançar.
