Jirau marca a primeira exposição individual de Abiniel João Nascimento na cidade de São Paulo, e reúne cerca de 15 pinturas e esculturas inéditas produzidas especialmente para a mostra. O título remete às estruturas vernaculares de madeira típicas do Nordeste brasileiro, utilizadas para descanso, armazenamento ou preparo de alimentos, metáfora que orienta a exposição ao enfatizar multiplicidade de usos, saberes cotidianos e relações entre corpo, território e sobrevivência.
A artista investiga, por meio de gestos plásticos e escultóricos, os processos de transmutação entre humanidade e vida vegetal, ancorados nas dinâmicas ecológicas e sociais da Zona da Mata Norte de Pernambuco, sua região de origem.
Materiais orgânicos desempenham papel central na pesquisa: fibras da palmeira carnaúba tornam-se esculturas suspensas de formas abertas e fluidas, enquanto a série Inventário errante das plantas-irmãs apresenta pinturas baseadas em registros fotográficos geolocalizados de espécies nativas, cujas silhuetas são reinterpretadas de modo mais anônimo, tensionando classificações científicas e percepções individuais da natureza. Entre memória, cultivo e regeneração, Jirau propõe uma reflexão sensível sobre convivência, ancestralidade e ecologias compartilhadas.
