
“Jardim Flamejante” é a primeira individual do artista na Casa Triângulo, que reúne obras a partir de materiais e formas de expressão diversificados, que revelam a potência sensorial, espiritual e política do sertão nordestino. O projeto articula matéria, território, memória e cosmologia, inscrevendo o trabalho de Chavez em um campo no qual técnica, rito e imaginação se tornam indissociáveis.
Em seu texto crítico, Walter Arcela destaca que, nas pinturas, Chavez desenvolve uma espacialidade que desloca a lógica clássica da pintura como janela. Em vez de organizar o mundo a partir de um ponto de vista estável, suas imagens sugerem cavidades, interiores e campos que se confundem com o horizonte, dissolvendo a distinção entre dentro e fora. O espaço pictórico emerge como extensão do próprio território, onde o corpo que pinta não se coloca diante da paisagem, mas dentro dela. Muitas obras, de orientação vertical, se lançam como troncos tensionados, soldando chão e céu num mesmo eixo cósmico.
