
A Seoul Space apresenta a individual de Jade Ching-Yuk Ng, artista de Hong Kong cuja prática pictórica parte do conceito de “skin-ego” (Le moi-peau) do psicanalista Didier Anzieu — a pele como fronteira psíquica entre o eu e o outro, como interface entre o interior e o exterior. Em pinturas de escala mural com figuras femininas alongadas além das proporções naturais, Ng constrói tableaux surrealistas onde a geometria de mosaicos centro-asiáticos e a linearidade da arquitetura modernista se entrelaçam com dobras de tecido e formas corporais em tensão. Sua paleta de cinzas fatigados, ocres terrosos e azuis pálidos habita transições fluidas entre formas ambíguas. Detalhes perturbadores emergem — rachaduras, sangue que escorre, gramados em chamas, tinta derramada — como marcas da experiência diaspórica da artista. Olhos aparecem embutidos em espinhas dorsais ou emergindo de fendas na carne, em referência à iconografia de Santa Luzia. A exposição investiga a pele como interface de risco: território de “inter-corporeidade” e, ao mesmo tempo, de intrusão não convidada.
