
Na primavera e no verão de 1919 e 1920, durante um período de intensa conexão com a natureza, a artista Hilma af Klint desenhou flores quase todos os dias. “Vou tentar”, escreveu, “compreender as flores da Terra.” Esta exposição se concentra em um portfólio de desenhos recém-integrados à coleção do MoMA — aquarelas em tons vibrantes realizadas com o olhar atento de uma naturalista sintonizada com os ritmos e a abundância das estações de floração.
Rompendo com a tradição da ilustração botânica, af Klint justapunha flores minuciosamente retratadas a diagramas geométricos: um girassol em flor espelha círculos concêntricos; uma caltha palustris aparece ao lado de espirais simétricas; galhos brotando são dispostos sobre quadriculados de pontos e traços. Com essa profusão de formas — uma ampliação da linguagem abstrata pela qual é mais conhecida —, af Klint procura visualizar “o que está por trás das flores”, expressando sua crença de que a observação atenta do mundo ao redor revela aspectos sutis da existência humana.
Af Klint concebeu esse portfólio como um atlas — ou, em termos botânicos, uma flora — que detalha as plantas da Suécia, onde vivia e trabalhava. Trata-se, porém, de uma flora do espírito, um mapeamento do mundo natural em termos espirituais, que poderia figurar ao lado de qualquer recurso científico. Ao colocar representação e abstração, observação e imaginação, arte e botânica em diálogo, seus desenhos afirmam a interconexão entre todos os seres vivos. “Mostrei”, escreveu, “que existe uma ligação entre o mundo vegetal e o mundo da alma.”
