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“Group show → Props” na Galerie Derouillon
09/10/2025 -14:00 até 22/11/2025 -19:00


Montagem da exibição “Props”, 2025. Galerie Derouillon.
Em outubro, Derouillon apresenta “Props”, uma nova exposição coletiva com curadoria de Marion Coindeau, incluindo Uri Aran, Diane Dal-Pra, Tetsumi Kudō, Shuang Li, Liz Magor e Kirill Savchenkov. A mostra reunirá novas produções, além de obras históricas.
“Props” evoca tanto um objeto enganoso quanto um dispositivo que dá suporte a algo mais — algo que não é, ou não é bem assim, algo que não deveria ser, ou ainda não é. A exposição se desdobra em múltiplas camadas de significado, buscando reunir obras que resistem à compreensão imediata, que escapam ao nosso olhar. Dessa mudança lúdica emerge uma sutil sensação de ausência — um vazio desestabilizador através do qual os artistas permitem que as forças subjacentes de dominação e as imagens que moldam nossa vida cotidiana venham à tona.
Os artistas reunidos desvendam e desestabilizam hierarquias sociais implícitas, expondo a dúvida como uma ferramenta política tanto de desestabilização quanto de controle. Eles sondam nossas relações físicas e emocionais com objetos cotidianos ou brincam com a própria estrutura da linguagem. Por trás de sua aparente suavidade ou sutileza, as obras frequentemente deixam um gosto residual dissonante — nascido da lacuna entre percepção e reconhecimento —, uma espécie de falsa transparência refletida nos próprios materiais. O objetivo é habitar essa fissura, revelar as zonas de fricção entre intimidade e mediação e lançar luz sobre como nossas emoções e gestos são controlados pelos sistemas sociais e tecnológicos.
“Props”, portanto, aborda a ausência como uma experiência crítica por meio da qual nossas percepções são reexaminadas. As obras reunidas na exposição chamam a atenção para as fraturas na trama do mundo, explorando o limiar onde o familiar dá lugar ao estranho e abraçando a inevitabilidade de que algumas coisas sempre nos escaparão. Como escreve Didi-Huberman em O que vemos nos olha de volta: “Abramos os olhos para sentir o que não vemos” — um gesto que nos conduz a uma forma mais sensível de conhecimento, um espaço aberto para a reflexão, para o questionamento do que parece autoevidente e para o acolhimento da dissidência.
