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SUMMARY:"George Love: além do tempo" no MAM SP
DESCRIPTION:George Love\, Ilha do Marajó\, 1971 – Imagem que fez parte dos livros Amazônia e Alma e Luz.\n\n\n\nNo despertar da cultura fotográfica brasileira na segunda metade do século XX\, um nome figura entre as maiores referências: George Love. Artista carismático\, ele sempre foi cercado por uma aura de mistério\, que beirava a lenda\, de tão conhecido quanto enigmático que era\, pelo tanto que ele foi exposto e como ficou escondido. \n\n\n\nAtuando em uma era de efervescência intelectual\, de questionamento comportamental e de transição de costumes\, George exibia um intenso brilho em suas realizações\, na interação profissional e no convívio particular. A luz que trazia ao ambiente extravasava paredes e repercutia na atmosfera e nas pessoas\, que vislumbravam as infinitas possibilidades de um marcante meio de expressão. Suas ações no meio cultural\, editorial e corporativo expandiam os horizontes da fotografia\, abrindo caminhos adiante do seu tempo. Conscientemente ou não\, gerações de fotógrafos brasileiros seguem sua inspiração e seu modelo\, que se realça entre as raízes de nossa contemporaneidade. \n\n\n\nChamá-lo de gênio também não é hipérbole. George Leary Love nasceu em 24 de maio de 1937\, em Charlotte\, Carolina do Norte\, Estados Unidos. Negro\, filho único em uma família simples e culta\, concluiu seus primeiros estudos superiores antes dos 20 anos. Adotou a câmera fotográfica também cedo\, vislumbrando a possibilidade profissional no segmento de fotografia de viagem\, representado por arquivos de imagens\, um mercado importante na época\, com o qual se manteria ligado por toda sua vida profissional. Fixando-se em Nova York para mais estudos\, logo passou a se dedicar à fotografia como criação autoral\, tendo suas primeiras mostras em galerias de Manhattan\, dando cursos e palestras. Assim\, foi aceito como um dos mais jovens participantes da Association of Heliographers\, um grupo restrito de expoentes da fotografia americana que promovia a arte\, propunha sua expansão e inovava no uso de impressões coloridas no meio expositivo. George Love se identificava com a proposta\, de forma que o ideário dessa associação é chave importante para compreender a obra que desenvolveu por toda a sua vida. Em pouco tempo\, o jovem fotógrafo se tornou vice-presidente e coordenador da galeria da associação. Foram dois anos intensos\, entre 1963 e o fim de 1965\, até o encerramento da entidade\, por carência de recursos. \n\n\n\nA perspectiva de um novo rumo lhe foi oferecida por uma rara heliógrafa estrangeira\, que o estimulou a se aventurar pelo continente sul-americano. Em janeiro de 1966\, George juntava-se a Claudia Andujar em Belém para uma inusitada expedição no interior da Amazônia\, verdadeira epopeia até a terra dos Xicrin. Voltaram para Belém\, subiram pelo rio até Iquitos\, depois Lima e Bolívia\, e entraram de volta no Brasil pelo famoso “trem da morte”. Fixaram-se em São Paulo\, no apartamento da Avenida Paulista\, casaram-se… e\, então\, o resto é história. \n\n\n\nZé De Boni (curador)
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