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SUMMARY:"Fonte Luminosa" de Renata Basile na Galeria Gravura Brasileira
DESCRIPTION:Renata Basile\,  gravura em metal\, água forte\, 78 x 70 cm\, 2022. Foto: Marina Rodrigues\n\n\n\nImagine o mundo sob a óptica de uma criança. Seu corpo caminha pela rua com os dois braços esticados para cima segurando as mãos de seus pais\, um de cada lado. Ao olhar para baixo\, você percebe que começa a subir uma escada com degraus na altura de seus joelhos. Quando volta a olhar para cima\, chega na praça da cidade e vê ao centro uma fonte com fios de água que sobem e descem em movimentos curvilíneos. Para um adulto de altura mediana\, a fonte não passa da altura do pescoço. Mas\, para a criança\, a fonte tem o dobro do tamanho de seu corpo. Essa cena poderia ter acompanhado os pensamentos da gravurista Renata Basile como uma memória afetiva\, sendo recordada ao contar as histórias de criança\, mas não foi o caso. A materialização da fonte\, não como imagem\, mas como lembrança\, só vem para a artista depois que centenas de gravuras já estão impressas no papel\, em uma repetição obsessiva do movimento em arco que as linhas d’água desenhavam no ar. \n\n\n\nQuando eu visitei a artista em seu ateliê\, em junho de 2023\, boa parte das gravuras estavam alinhadas lado a lado em uma das paredes da sala. O que não cabia na parede\, ocupava a parte superior da mapoteca\, com gavetas que abrigavam outras peças. Havia também obras sobre a grande prensa no fundo do ateliê. Olhar para o conjunto de gravuras era como contemplar uma perspectiva de paisagem. \n\n\n\nEm um encontro mais recente com Basile\, revisitando matrizes do início dos anos 2000\, nos surpreendemos ao ver que suas gravuras de 20 anos atrás se comportavam na abstração e já indicavam o seu fascínio pelos fios\, outrora mais volumosos\, menos espaçados e remetendo ao acúmulo de traços\, quase sem distância entre eles. Entretanto\, o movimento das águas na fonte já estava lá\, brotando e espalhando os fios pela superfície do papel. \n\n\n\nFonte Luminosa é a organização das séries desenvolvidas organicamente pela gravurista ao longo de seu último ano de produção\, um retorno à sua memória de infância que relata sua experiência no mundo como o fluxo das águas na fonte: cíclico e contínuo. Estão nas salas da Galeria Gravura Brasileira as séries “Correnteza”\, “Cachoeira” e “Meridianos”\, investigações sobre arcos\, riscos\, tramas\, linhas e sobreposições que criam gravuras únicas\, derivadas da mesma matriz. A artista vê na serialização um campo de exploração. Não se tratam de trabalhos em tiragem de larga escala\, mas sim de obras que refletem o submundo da repetição. \n\n\n\nOs trabalhos produzem um efeito óptico\, mostrando linhas que ora se cruzam\, ora se tangenciam e ora se acompanham paralelamente. Formam uma espécie de holografia do deslocamento da água e rememoram a fonte da praça da cidade onde a artista viveu na infância. \n\n\n\nNa gravura em metal\, os riscos tradicionalmente abominam as rebarbas\, mas nas obras de Basile eles ganham liberdade e técnica. São cuidadosamente deixados pela artista ao trabalhar com o ácido e se manifestam quebrando a rigidez na linha\, gravando uma névoa no entorno do traço. São como as gotículas de água que formam uma neblina na queda das cachoeiras. Nas gravuras não há nada a esconder\, Basile faz questão de marcar os contornos das matrizes no papel\, registrando sua existência. Anos de experiência indicam que esconder como alcançar as imagens é ingênuo. O cobre que recebe a gravação é tão importante quanto a impressão. Assim\, podemos observar seu registro no papel em uma penumbra\, que\, tal como a memória\, é preciso resgatar seus contornos. \n\n\n\nA célebre frase de Heráclito\, que ilustrou a sua Teoria do Devir\, se faz presente neste conjunto de obras\, compondo mais uma gama de metáforas. Em Fonte Luminosa\, exposição individual de Renata Basile\, o rio é a memória. “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio\, pois quando nele se entra novamente\, não se encontra as mesmas águas\, e o próprio ser já se modificou”. \n\n\n\nAna Carla Soler
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