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SUMMARY:"E se a Lua for embora\, o céu entenderá" de Felipe Suzuki na Simões de Assis
DESCRIPTION:Felipe Suzuki\, Sem título\, 2024 – Divulgação Simões de Assis\n\nE se a Lua for embora\, o céu entenderá \nConduzindo o olhar por um grupo de trabalhos que flertam com o gênero da paisagem e da natureza-morta\, Felipe Suzuki impõe um estado de suspensão temporal onde memória e atualidade se dissolvem. Paira sobre a pele aveludada dos pêssegos\, das pétalas de suas flores e do campo aberto de terrenos a esmo uma fina camada leitosa que dilata a apreensão da cena enquanto convida o olho a passear pelas rachaduras e caminhos da tinta. Se outrora a semelhante técnica do sfumato fora utilizada por mestres renascentistas para criar o artifício de uma “perspectiva aérea”\, replicando as qualidades físicas da paisagem que se perde no horizonte\, o uso adensado proposto por Suzuki inverte o sentido do realismo ótico para propor\, em seu lugar\, cenas movediças\, onde a instabilidade da representação do objeto no meio pictórico mais se assemelha a sonho ou miragem. \nProduzidas mediante os usos de uma paleta de cores reduzida\, em que o preto de marfim\, o branco de titânio\, o amarelo ocre e o vermelho sienna queimado são misturados e revirados ao avesso para a investigação de seus semitons e combinações\, o artista produz um sistema que deriva de uma estrutura inicial. No cosmos que rege a sua produção\, cria uma ordem de mônada\, conceito-chave sugerido pelo matemático e filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz. Revisitado hoje por sugerir a noção de relatividade antes mesmo de Albert Einstein\, fundamentou uma teoria onde a mônada seria uma substância simples\, sem partes\, indissolúvel e indestrutível; como um mundo distinto\, à parte\, próprio – mas também como unidade primordial que tudo compõe. Entre suas variações\, cada uma delas guardaria consigo a ordem do todo e das relações de interação umas com as outras. Tal compreensão atomizada da existência serve para a elaboração de uma realidade em que a separabilidade é insustentável\, pois cada parte perturba o funcionamento de um corpo maior\, regido pela harmonia. \nSob esta percepção\, poderíamos inferir que a composição\, para Suzuki\, é resultado de uma equação entre cada uma das quatro cores de sua paleta. Se em tal afirmação a relação entre combinação e variabilidade adquire seu grau de veracidade por uma crença total na virtude técnica de sua pintura\, a mesma cairia em amarga objeção pelo fracasso em submeter uma máquina a reproduzir uma obra de equivalente qualidade. Há um outro elemento: integra à pulsão de criação de Suzuki a sua relação própria com o mundo\, que apreende o entorno sem se ater à sua aparência estática\, mas busca na realidade vivida a sua condição fugidia. Este é o poder de suas composições – cristalizadas sobre leves e demoradas pinceladas\, seu tempo se paralisa na passagem dos instantes\, ínfimos em sua diferença\, em que se abre\, na impossibilidade de um determinismo espaço-temporal\, uma janela de fuga. \nHá em adição\, nesse jogo de pesos e contrapesos\, um elemento que foge à precisão: um princípio de incerteza\, em que a inefável razão de ser é abraçada em favor da manutenção do desconhecido. Nessa misteriosa profundidade – conhecidas pela cultura chinesa e nipônica como Y?gen – o espaço da incompletude\, do vazio\, desenha um horizonte de eventos onde aquele que vê é convidado não apenas a completar seguindo o rastro da sugestão\, mas também a habitar o abismo em um encontro consigo. Em um gesto dialético de uma radical alteridade\, Suzuki cria cenários lacunares\, por vezes fragmentados\, que refletem o mundo não em sua verossimilhança\, mas na indistinção entre o real e o imaginado. \nNa redoma de ocres e rosados do artista\, o céu pode ser um círculo\, a névoa\, uma linha\, uma faísca de luz. É também a fruta\, a fruteira\, o copo meio vazio\, meio cheio. Pode vir a ser a casa\, ou a figura que transita em seus aposentos. É tudo isso e não apenas um deles; nesta economia pictórica\, tempo é massa em transformação. E se a lua for embora\, o céu entenderá\, pois outro corpo há de tomar o seu lugar. \n*** \nA sinestesia do silêncio \nSuzuki explora a pintura a partir do instante e das múltiplas relações que ela estabelece com o espectador\, criando profundidade e intensidade a partir do gênero da natureza-morta. A delicadeza se revela na sofisticação cromática e na representação dos objetos\, enquanto a brutalidade surge na resolução prática de molduras feitas de pregos\, unindo elementos antagônicos. Essa fusão captura as sutilezas do cotidiano\, cristalizando-as em uma linguagem pictórica que transforma cenas comuns em representações carregadas de sensibilidade e nuances. \nMesmo que\, por vezes\, figurativas\, suas pinturas flertam com o abstrato devido ao jogo de cores que emplaca. A diversidade cromática que enxergamos em cada tela é\, na verdade\, resultado de um domínio técnico\, permitindo que o artista manipule nossa retina ao fazer misturas com somente quatro tons. É nessa busca em expressar profundidade e contemplação que o artista pratica um resgate técnico clássico\, em que a cor é uma sugestão e a singularidade é caracterizada por uma abordagem introspectiva e minimalista. \nSua pintura é um convite ao silêncio\, ao tempo pausado\, onde cada elemento parece ser colocado com uma precisão pensada\, dando ao espectador a chance de se perder nas sutilezas de suas composições. Ao mesmo tempo\, carregam uma intensidade que emerge da simplicidade\, convidando o público a contemplar o impacto do momento e da percepção\, características tão presentes em sua produção. \nLucas Albuquerque e Luana Rosiello
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