
“Na exposição, esses novos trabalhos podem ser vistos em diálogo com uma produção já conhecida do público, marcada pelo uso de recortes fotográficos, sobreposições e montagens que operavam por descontinuidade. Se antes a imagem se constituía sobretudo como fragmento extraído de um todo maior e recombinado em novas constelações, aqui a fragmentação deixa de ser um procedimento formal e passa a ser pensada a partir da própria matéria da imagem, seus suportes e condições de aparecimento. O fragmento já não é apenas aquilo que foi cortado, mas o que nunca se oferece como inteiro, carregando consigo a marca de sua própria vulnerabilidade, em estado sempre parcial, oferecendo-se portanto como algo que se constitui aos poucos, por camadas e aderências, dependente das condições que a sustentam. O que se afirma, ao fim, é uma atenção às imagens como fenômenos que se formam lentamente, em contato com a matéria, com a luz e com o tempo. Ao acolher tempos heterogêneos (a geologia da paisagem, o tempo histórico da escultura, o ciclo orgânico dos corantes, o tempo sensível do tecido), essas obras abrigam formas que persistem justamente porque permanecem em trânsito. Daí a necessidade, e o desafio, de sustentar a imagem no ponto exato em que ela ainda pode se transformar.”
– trecho do texto curatorial de Pollyana Quintella
