
O eixo conceitual da série Dada Brasilis parte desse diálogo entre duas figuras centrais da arte moderna – do modernismo brasileiro e do dadaísmo europeu. Ao se apropriar de fragmentos de obras das artistas, Figueiredo compõe pinturas que relacionam seus diferentes contextos estéticos e culturais.
O procedimento empregado por Figueiredo se aproxima da noção de antropofagia formulada por Oswald de Andrade, entendida como uma estratégia de incorporação e transformação de referências externas. Ao inserir técnica e linguagem próprias em suas obras, a artista atualiza esse material histórico e levanta questões ligadas à autoria, à identidade e às fronteiras globais. Essas questões são centrais e recorrentes na trajetória de Figueiredo, desenvolvida entre o Brasil e Berlim, onde a artista vive e trabalha há mais de dez anos.
Entre os destaques da exposição está a pintura Dada Brasilis, apresentada pela primeira vez na exposição Stattdessenfarbe, no museu suíço Kulturhaus Obere Stube em Stein am Rhein, Suíça. Com seis metros de largura, o tríptico articula obras-chave de Tarsila, como Sol Poente e A Lua, às formas geométricas e ao vocabulário abstrato de Taeuber-Arp. A circulação internacional da série inclui ainda a aquisição da obra Manifesto Abacaxi pela fundação Jakob und Emma Windler-Stiftung, responsável pela gestão do museu suíço, além da participação da artista na SPARK Art Fair, na Áustria, em apresentação solo.
