BEGIN:VCALENDAR
VERSION:2.0
PRODID:-//Arte Que Acontece - ECPv6.15.20//NONSGML v1.0//EN
CALSCALE:GREGORIAN
METHOD:PUBLISH
X-WR-CALNAME:Arte Que Acontece
X-ORIGINAL-URL:https://artequeacontece.com.br
X-WR-CALDESC:Eventos para Arte Que Acontece
REFRESH-INTERVAL;VALUE=DURATION:PT1H
X-Robots-Tag:noindex
X-PUBLISHED-TTL:PT1H
BEGIN:VTIMEZONE
TZID:America/Sao_Paulo
BEGIN:STANDARD
TZOFFSETFROM:-0300
TZOFFSETTO:-0300
TZNAME:-03
DTSTART:20230101T000000
END:STANDARD
END:VTIMEZONE
BEGIN:VEVENT
DTSTART;TZID=America/Sao_Paulo:20241123T100000
DTEND;TZID=America/Sao_Paulo:20241220T190000
DTSTAMP:20260419T071420
CREATED:20241121T175617Z
LAST-MODIFIED:20241121T175617Z
UID:59716-1732356000-1734721200@artequeacontece.com.br
SUMMARY:"Corpo Ruído" de Paula Garcia na Luciana Brito Galeria
DESCRIPTION:Paula Garcia “#1”\, da série Corpo ruído\, 2008. Foto: Acervo Paula Garcia\n\n\n\n\n\n\n\n\nA arte de Paula Garcia é antes de tudo um convite radical à presença física\, mental e espiritual. Seus movimentos intentam um enfrentamento às forças que regem os passos humanos numa guiança compulsória\, vívida e frutificada a partir de ruídos férreos envolvidos por gemidos de exaustão. \nO que se anuncia possui a energia de um exército concentrada numa massa corpórea\, contraditoriamente industrial\, que floresce\, e se transfigura\, em moitas de aço. Um super-corpo construído nos sonhos\, e assombros\, de infância da artista; que não apenas tem na ação o elemento mais importante em sua prática\, mas que principalmente busca refletir sobre o que está intrínseco nesta ação. \nPaula organiza uma série de feituras que versam sobre os conceitos metafóricos e físicos que o ímã representa\, como\, por exemplo\, atração e repulsão. Ela intui elaborações sobre a capacidade do ímã de atrair metais específicos e reflete sobre os conceitos de afinidade\, identidade e essência. Em metafísica\, isso pode ser comparado ao modo como certas ideias ou entidades têm uma “atração natural” por outras\, cogitando sobre o que significa ser ou existir em relação a outras coisas. \nPara pensar nessa relação\, ela parte do corpo\, do ruído e da arte\, por meio de performances de longa duração em que dispõe a si mesma\, como um totem\, e se volta a um ensimesmar escultórico. A importância estética do seu trabalho se faz evidente como fosse até mesmo uma pintura\, repleta de gestos demasiadamente pesados\, densos\, e dispendiosos que coloca a prova um corpo que insiste em resistir. Paula se preocupa com a qualidade da experiência para o público. Este ponto se revela através de sua presença\, direção e atenção que se tornam evidentes em absolutamente todos os segundos de suas performances. A artista entende que esse lugar plástico traz uma expansão para seu trabalho; é a materialidade com gestos coreografados numa poesia visual que extravasa a potência dramática. \nPor compreender que a arte deve modificar a nossa identidade\, pensa também sobre o ato de transmutação do organismo material do ser humano\, a identidade disseminada no corpo. Ao buscar na história da arte os elementos\, conceitos e as experiências que contextualizam sua prática artística\, elabora um projeto ambicioso que sonda e manipula as sobras de uma civilização forjada no ferro e nas forças de opressão. Encara o imã não apenas como objeto\, mas como uma representação das forças visíveis e invisíveis: as relações humanas\, os sistemas de controle sócio-políticos que\, em sua trajetória\, são revelados por meio de noções muito particulares sobre o magnetismo. \nA artista tem a escola vanguardista da cena da performance como raiz de sua jornada. Isso se deu a partir de uma profunda relação com o MAI –  Marina Abramović Institute\, entidade dedicada ao trabalho de longa duração. Suas ações\, portanto\, sugerem a inserção do público na experiência estética de exploração do corpo e do risco como forma de expressão artística e de confrontação dos conflitos que perpassam a realidade. \nEm sua primeira individual\, Paula apresenta um conjunto de trabalhos que aglutina sua experiência\, dos últimos vinte anos\, junto ao desenvolvimento de ações experimentais nos campos da curadoria e produção. Por meio de registros e documentos de performances – compostos de fotografia\, vídeo-arte e obras instalativas – exibe quatro obras que carregam a energia d’um universo mito-poético de urdiduras colossais. Performances que utilizam linguagens em que a tensão e o conflito são materializados numa estrutura coberta por forças palpáveis e abstratas. É esse tipo de campo que Paula denomina “Corpo Ruído”. \nOs sons surgem como elementos muito presentes e determinantes\, tornando o trabalho robusto. A microfonação\, o ajuntamento e escoamento dos ruídos captados se alinham de modo que o material resultante desses processos se constitui como arte sonora. São peças de sons ruidosos adornadas pelo barulho de ferro batendo com ferro; estardalhaços agudos\, de difícil digestão\, que invadem a epiderme do público num violento rumor de um corpo que pende\, que enverga\, mas que permanece e respira. Essa sonoridade nasce do atrito entre os materiais com os quais Paula trabalha e que funcionam como corpos que detonam um outro corpo. \nA agonia das marcas roxas\, dos pontos costurados na carne da artista\, levam ao entendimento da exaustão e do descanso como simbologias da inteireza. Estas imagens têm efeito magnético no público. Pelo seu contrário\, também apresenta-se o impacto nos momentos de descanso e nutrição: a água\, o alimento\, o suor lavado\, tudo ganha outra compreensão e nos leva a uma imaginação que faz severas críticas à arte que não se inclina ao risco. Tudo isso revela a centralidade de estados alterados de consciência na performance\, uma vez que\, a partir dessa condição\, Paula consegue desafiar os limites carnais e criar “obras de transe”. \nA intensidade do trabalho é fundamentada na presença\, uma presença radicalizada em atenção total no agora. Por isso\, sua atenção se volta às experiências brutais de trabalho em que\, por horas e horas\, exige dedicação do corpo ao ofício\, isso a leva a fazer uso da própria matéria humana como sujeito e objeto\, tema e meio de expressão. \nA coisa bruta\, o peso\, o uso da força traduzem a performance em algo que seja plástico. É quando os esforços da artista ganham ares mais ambiciosos e desembocam em projetos audaciosos\, complexos em verba e realização como Cru/Raw\, configurando um momento de maturação. Por isso\, talvez a característica mais significativa de seu trabalho seja o fato de elaborar com e no limite. Em vários exemplos nota-se a tentativa persistente de lidar com aquilo que se localiza no extremo: a dor\, o corpo\, os equipamentos\, o experimentalismo e até a própria arte. É uma ação contínua que visa o êxtase pela extrapolação dos limites. Nesse caminho\, Paula debate as construções do gênero\, da força humana\, das políticas internas e externas. \nEla nos diz\, a todo instante\, que o corpo age como ferramenta política de descentralização da noção estável que temos da corporeidade. Nos mostra que a voz vinda dele combinada com os ferros dentro do espaço\, é o ruído. O tempo se torna um elemento central\, com a artista muitas vezes desafiando as percepções convencionais de duração e ritmo. Isso resulta em uma experiência meditativa e ativa tanto para Paula quanto para o público\, e questiona as normas estabelecidas sobre a arte e a experiência estética. \nNesse contexto\, aponta para uma corporalidade radical definida pela interseção de ao menos três fatores: precariedade\, incerteza e risco. Seja na obra Cru/Raw ou nas obras que compõem a série Corpo Ruído\, a artista parece querer realizar o impossível e romper limites\, buscando equilíbrio em instantes de instabilidade extrema. De modo sensorial\, a relação entre perigo e alteração dos sentidos\, tão ambivalente\, por um lado nos mostra que toda e qualquer situação que exija dos sentidos e do corpo\, algo que fuja de suas atividades ordinárias\, será necessariamente experimentada como arriscada e perigosa. Por outro lado\, Paula Garcia nos mostra que a exposição ao abismo é algo que impele o corpo a utilizar os seus sentidos de uma forma não cotidiana\, rumando ao campo do extraordinário. \n– Natalia Grilo \n 
URL:https://artequeacontece.com.br/evento/corpo-ruido-de-paula-garcia-na-luciana-brito-galeria/
LOCATION:Luciana Brito Galeria\, Av. Nove de Julho\, 5162 - Jardim Europa\, São Paulo\, SP\, Brasil
CATEGORIES:São Paulo
ATTACH;FMTTYPE=image/jpeg:https://artequeacontece.com.br/wp-content/uploads/2024/11/normal_007906-2-1.jpg
END:VEVENT
END:VCALENDAR