
Tate Modern, em Londres, apresenta exposição dedicada a Claude Monet, reunindo pinturas provenientes de coleções internacionais, com obras raramente exibidas ao público. A mostra propõe uma nova leitura do artista ao relacionar sua produção às transformações da modernidade — como a industrialização, o crescimento das cidades e a padronização do tempo — que marcaram a Europa no final do século XIX.
O percurso expositivo destaca como Monet incorporou essas mudanças em sua pintura ao buscar capturar o instante fugaz, característica central do impressionismo. Obras como Arrival of the Normandy Train, Gare Saint-Lazare (1877) exemplificam esse interesse pelo movimento e pela velocidade, enquanto séries como Poplars on the Epte (1891–1897) revelam sua investigação sobre variações de luz e tempo a partir de um mesmo motivo, explorando a repetição como método.
A exposição também evidencia a relação duradoura do artista com a natureza, especialmente em sua fase em Giverny, onde desenvolveu a célebre série das Nymphéas (Nenúfares). Nessas pinturas, o tempo deixa de ser apenas instante para se tornar duração contínua, refletida nas mudanças sazonais e na observação prolongada da paisagem, consolidando uma das investigações mais radicais da pintura moderna.
