
O MAC USP apresenta a maior exposição já realizada por Nelson Felix (Rio de Janeiro, 1954), com curadoria de Fernanda Pitta. A ideia germinou em 1978, quando o artista descobriu que as línguas Aimara e Aramaico — uma da região andina, outra da tradição semítica do Oriente Médio — tornam-se palíndromos quando escritas em espanhol (Aemara e Aramea). Décadas depois, essa coincidência linguística encontrou forma em esculturas de mármore que constituem o núcleo da mostra: três obras — Escultura para Homero, Escultura para Santa Teresa e Escultura para Bertrand — são formadas por pares de chapas de mármore coladas, cada uma trazendo o mesmo texto em Aimara de um lado e em Aramaico do outro, perfurado em rendas na pedra. A cola — usada pela primeira vez no trabalho de Felix — é tratada como material tão essencial quanto o mármore: nos caracteres que coincidem e nos intervalos onde divergem, as línguas se tocam. Completam a mostra duas novas versões escultóricas de Carta de Amor (Pétala e Caule, em mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda), séries de desenhos e um vídeo.
