
A Casa de Cultura do Parque apresenta Badauê, de Andrea Brazil, com curadoria de Claudio Cretti e texto de Ana Avelar. A mostra reúne trabalhos marcados pela geometrização e reconfiguração visual da arquitetura vernacular.
A trajetória de Andrea Brazil entre Salvador e a Ilha de Itaparica fundamenta sua visualidade. A artista cresceu em contato com uma arquitetura litorânea marcada por intervenções anônimas — feitas com cacos de telha e sobras de material — que configuram o que ela chama de “desenho no espaço”: fachadas, grades e elementos urbanos se reorganizam como linhas, cores e vazios.
Esse olhar se aprofundou durante uma viagem ao Algarve, em Portugal, onde a influência moura — reconhecível nos cantos arredondados e padrões geométricos — ressoou com o que a artista conhecia da Bahia. A conexão não é casual: os negros malês, protagonistas da revolta de 1835 em Salvador, eram em sua maioria de origem muçulmana e portadores de uma tradição visual que se infiltrou na cultura material da cidade.
