
“Através do espelho” apresenta ao espectador um percurso inspirado na travessia criada por Lewis Carroll, na qual a passagem por um espelho abre acesso a uma lógica diferente do habitual.
Nesta exposição, no lugar de organizar uma narrativa que apresenta os artistas a partir da galeria, propõe-se que a própria galeria seja percebida a partir dos artistas que a integram. Essa travessia cria um movimento inverso ao que se costuma esperar de um espaço expositivo, onde o percurso deixa de ser linear e se torna uma experiência de atravessamento: do individual ao coletivo.
Cada obra funciona como uma superfície de reflexão que revela aspectos distintos desde vínculos afetivos e processos compartilhados até a presença simbólica que ela assume na prática de cada um. Não se trata de um reflexo literal, mas de uma leitura sensível que transforma a percepção de quem entra no espaço.
A referência ao universo de Carroll reforça a ideia de deslocamento. O espelho, aqui, é entendido como um dispositivo que amplia e reorganiza a visão, permitindo que a galeria surja através de perspectivas variadas. O visitante encontra um ambiente em que as fronteiras entre instituição e criação se tornam permeáveis, revelando camadas de significado que emergem da convivência entre trajetórias individuais e experiências coletivas.
