
A Galatea Salvador apresenta a primeira individual de Elias Santos (Cairu, BA) no espaço, com curadoria de Alana Silveira, reunindo cerca de 50 desenhos produzidos entre 1995 e 2004 e 12 esculturas de 2013 a 2026. A exposição parte de uma descoberta curatorial: imagens e símbolos presentes nos desenhos do início da trajetória do artista — criados durante sua formação na Escola de Belas Artes da UFBA — reaparecem, mais de duas décadas depois, em novas configurações em suas esculturas. São essas correspondências e deslocamentos que estruturam o percurso. Nos desenhos, figuras híbridas de traços masculinos e femininos são atravessadas por conflitos e marcas de sofrimento; as máscaras que emergem dessas figuras dialogam com manifestações culturais do Baixo Sul da Bahia como os Zambiapungas, ligados ao culto aos ancestrais. Nas esculturas — construídas com papelão, tecido e isopor revestidos —, estruturas formais como pontas, volumes e construções geométricas retornam em novas leituras, transitando entre arquitetura, corpo e simbolismo religioso.
