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SUMMARY:"Above the focus\, behind the ears" de Akiko Kinugawa na Mendes Wood DM
DESCRIPTION:Akiko Kinugawa\, “hole”\, 2025. Cortesia da artista e da Mendes Wood DM\, São Paulo\, Bruxelas\, Paris\, Nova York. Foto: EstudioEmObra\nCORES SOAM COMO CORES QUE NÃO CONSIGO CAPTAR COM OS OUVIDOS: UMA CONVERSA COM AKIKO KINUGAWAUMA \nYudi Rafael: Vamos começar pelo título da sua exposição. Above the focus\, behind the ears pode soar enigmático ou até no limite do sentido\, mas alude à percepção incorporada e sensorial. Você mencionou que isso surge da sua prática de mapear as partes do corpo que são ativadas quando você tenta ver e ouvir as coisas de maneira vaga. O que significa experienciar o mundo através desse modo de percepção? \nAkiko Kinugawa: Escolhi esse título a partir de um exercício de localizar a área do meu cérebro que é ativada quando olho para o meu trabalho ou para outras coisas. Quando olho vagamente para algo que está diante de mim\, meus olhos repousam sobre um ponto e\, ao invés de focar detidamente em alguma substância\, minha consciência parece se espalhar acima e atrás das orelhas. Quando comecei a pintar\, eu não sabia o que era consciência. Não sabia onde ela se localizava\, mas podia sentir que ela estava ali\, e parecia estar ali para os outros também. Sempre depende das crenças de cada um e das visões de mundo que predominam em determinado tempo e lugar. Você não pode vê-la\, mesmo que ache que pode. Tenho um desejo de me imergir nesse campo\, de afrouxar algumas das certezas que tenho sobre o mundo. \nYR: Como a vagueza se relaciona com a consciência? \nAK: A imagem da consciência para mim é a de um fluxo flutuante e em movimento. Quando pinto\, dou grande importância às sensações que se têm ao se encarar uma pintura. Quero criar a sensação de estar diante de uma forma vaga\, de uma forma vaga flutuando. Pinto esfregando repetidamente tinta a óleo em um tecido de algodão\, e apenas as partes convexas da superfície irregular do tecido ficam cobertas com cor\, fazendo com que pareçam pequenos pontos coloridos. A forma solta desses pontos dá a sensação de que estão se movendo. Ao olhar para eles por um tempo estendido\, as cores às vezes parecem sons que não consigo captar com os ouvidos. \nYR: A ideia de ouvir cores me faz pensar em sinestesia. A tradução de impressões entre diferentes registros sensoriais também permeia outros elementos do seu trabalho\, como o uso de textura ou de formas geométricas e orgânicas? \nAK: Eu sinto que o tecido de algodão é como uma pele. Pintar\, para mim\, é como costurar energia no material. Não considero a textura na pintura de acordo com cada objeto que pinto\, mas me interesso pela relação entre materialidade e consciência. Talvez essa sensação de sinestesia esteja presente. Quando olho uma das minhas pinturas por muito tempo\, parece que ela pode falar\, emitir um som inaudível. \nYR: Você mencionou\, em outra ocasião\, que suas visitas a santuários xintoístas no Japão foram fundamentais para sua compreensão atual da consciência e a relação com a percepção sensorial que você traz para suas pinturas. \nAK: Eu visito santuários xintoístas principalmente nas montanhas do interior. São lugares onde o culto à natureza permanece. Há trilhas que você segue para alcançar o santuário mais interno\, caminhos com torii cercados por floresta\, e você ouve muitos sons enquanto caminha até ele. Ao chegar lá\, rezamos de frente para um espelho\, no qual você e seu entorno são refletidos. Essa situação parece dizer que Deus não está no santuário\, mas em você e em todas as coisas ao seu redor. Sinto que meu corpo não está separado das coisas ao meu redor. \nYR: Em hole e blue ▽\, os títulos das obras se referem a elementos formais das pinturas\, coisas que se pode ver. 1-2-3 (Hi Hu Mi) segue essa lógica\, mas parece partir de uma interação lúdica com o que é visível na obra\, contando algumas das formas que se destacam. Um título como 22to3\, no entanto\, parece seguir um registro diferente\, mais codificado. Você pode falar um pouco sobre a escolha dos títulos para essas obras? \nAK: Antes\, minhas obras não tinham títulos. Mas desde que mudei meu foco de rostos humanos para outras coisas\, comecei a nomeá-las. Na minha pintura atual há uma intenção por trás dos motivos. Os títulos se relacionam com os motivos que uso nas minhas pinturas\, bem como com os símbolos e números que fazem parte delas. \nA obra 22to3 apresenta uma imagem do Monte Fuji. O som da palavra “Fuji” pode ser equivalente ao número dois – fu ou ji. Fu é uma maneira antiga de ler esse número e ji também pode significar dois\, mas em kanji. É um jogo de palavras. O som de três é san\, que também pode se referir a uma montanha vulcânica relacionada ao sol – o vulcão Haleakalā. A imagem dessa montanha aparece pintada sob o Monte Fuji\, criando uma conexão. Já o título Call in\, por outro lado\, faz referência ao kanji para “respirar”. Esse kanji combina dois outros: yobu\, que significa chamar\, e suu\, que significa inalar. Para a pintura\, usei as formas de pulmões e busquei criar uma impressão do ato de respirar. Também procurei uma imagem de água e acabei desenhando os pulmões esquerdo e direito como consciências separadas. A ideia era sobrepor diferentes imagens de partes do corpo humano e também da consciência\, borrando seus limites. \nQuando penso nos títulos das minhas obras\, recorro à cultura japonesa antiga\, ou seja\, à mitologia e aos cantos. A mitologia japonesa pode ser bastante complexa de entender\, com homens e mulheres trocando de papéis sem que ninguém perceba. De maneira semelhante\, muitos cantos antigos parecem ser apenas combinações aleatórios dos sons das cinquenta sílabas disponíveis na língua\, rearranjadas em diferentes palavras. Há muitas histórias ambíguas na mitologia e nos cantos japoneses\, com significados perdidos no tempo\, e me interesso por como elas dissolvem contornos. Na mitologia\, a forma do meu corpo — como seu tamanho ou marcas de gênero — e minha existência em si desaparecem. No canto\, a ordem dos sons muda e você não consegue entender o que está acontecendo apenas os ouvindo. Os contornos do significado se desfazem.
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