Igrejas flutuam sob o anoitecer, da mesma forma que a possibilidade de uma vida terrena se levanta à altura dos ceús. Noite de São João (1961) é uma das últimas telas produzidas pelo pintor brasileiro Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, 1896 – Belo Horizonte, 1962), datada de um ano antes da sua morte. Parte do ciclo de paisagens imaginárias tardias do artista, o trabalho resume bem a sua relação com Minas Gerais e com a própria ideia de modernidade que contornou a história da arte brasileira.
Entre os anos 1940 e 1960, principal recorte da produção de Guignard, a arte brasileira avançava na direção dos seus projetos de modernização mais programáticos – isso desde o abstracionismo das Bienais paulistas até o concretismo e o neoconcretismo. A pergunta quanto a uma identidade nacional, tão cara à nossa primeira geração modernista, permanecia ainda mal equilibrada sob o impasse de uma tradição regional e um vocabulário internacional. Mas a produção de Guignard seguia repetidamente às margens das grandes disputas pictóricas brasileiras, e isso por diversas razões.