
Depois de mais de uma década à frente da Dia Art Foundation, Jessica Morgan retorna à rede Tate, agora como sua diretora. Ela assume o cargo em 1º de janeiro de 2027, à frente de uma das instituições artísticas mais importantes da Inglaterra, que reúne a Tate Modern e a Tate Britain, em Londres, além de unidades em Liverpool e St. Ives.
Morgan ocupa a vaga deixada por Maria Balshaw, que saiu da Tate no fim de 2025, período de forte escrutínio sobre a instituição, marcado por um relatório que mostrou operação no vermelho e por cortes de pessoal que levaram 150 funcionários à greve.
A nova posição representa um retorno para Morgan, que foi curadora de arte internacional na Tate Modern antes de assumir a Dia em 2015. Sua programação na instituição britânica rendeu reconhecimento, com destaque para “The World Goes Pop” (2015), exposição apontada como um marco na internacionalização da história da pop art, além de retrospectivas elogiadas de Saloua Raouda Choucair e Gabriel Orozco.
À frente da Dia, fundação que mantém espaços em Nova York, Beacon e Bridgehampton, além de instalações de land art pelos Estados Unidos, Morgan deu continuidade à mesma ênfase em uma história da arte mais global. O presidente do conselho da Tate, Roland Rudd, destacou sua “revitalização visionária” da Dia e sua experiência prévia na Tate como fatores que a tornam a escolha ideal para conduzir a instituição britânica em uma nova era.
A Dia, uma das principais referências em arte minimalista, land art e conceitual das décadas de 1960 e 1970, tinha um acervo historicamente concentrado em artistas brancos, homens, americanos e europeus. Morgan ampliou esse recorte, incorporando obras de Sam Gilliam, Tehching Hsieh, Senga Nengudi, Meg Webster, Renée Green, Lee Ufan e Cameron Rowland, além de montar exposições de Delcy Morelos e Carl Craig. O artista Steve McQueen, que teve mostra na Dia Chelsea em 2024–25, elogiou publicamente sua liderança.
Morgan também conduziu a consolidação da Dia em Chelsea, bairro que a fundação ajudou a transformar em polo de galerias em Nova York, reformando seus espaços e introduzindo entrada gratuita em 2021, movimento elogiado pela crítica Roberta Smith no New York Times.
Sua gestão à frente da Dia alimentou especulações de que fosse cotada para a direção do MoMA, cargo que acabou destinado a Christophe Cherix. Segundo reportagem de Rachel Corbett na Vulture, Morgan permaneceu na disputa até os estágios finais, mas foi informada de que o conselho havia reduzido sua tolerância a risco desde sua última entrevista, dias antes do anúncio de Cherix, e teria sido descartada por falta de experiência à frente de uma instituição de grande porte.
Em comunicado, Morgan afirmou que a Tate é a principal instituição do mundo dedicada à arte moderna e contemporânea internacional e à arte britânica, e que espera dar continuidade ao trabalho de sua equipe nos próximos anos.