Cartas revelam romance entre Frida Kahlo e Jacqueline Lamba

Nova biografia traz à luz correspondências inéditas que confirmam o amor entre as duas artistas e resgata a trajetória de Lamba, apagada pela sombra do marido, André Breton

Em algum momento de 1938, numa casa no México, Frida Kahlo e Jacqueline Lamba se apaixonaram. Ninguém sabia ao certo, mas, além de rumores, havia um autorretrato em miniatura que Frida deu a Jacqueline antes de ela partir de volta a Paris, com cordas ao pescoço puxando em direções opostas. Mas só agora, quase nove décadas depois, é que as cartas de Jacqueline para Frida vieram à luz. E, com elas, a confirmação de um amor entre duas mulheres na história da arte.

Jacqueline Lamba nasceu em 1910 e passou boa parte da vida sendo conhecida principalmente como esposa de André Breton, o papa do surrealismo. Ela também pintava, mas Breton, segundo o pesquisador Salomon Grimberg, autor da biografia recém-lançada “Jacqueline Lamba: The Forgotten Surrealist”, "queria que ela cuidasse da casa e da filha". Poucas de suas obras do período entre 1934 e 1940 sobreviveram. Ele teria destruído parte delas como punição quando ela finalmente se separou.

Foi Grimberg quem encontrou as cartas – oferecidas à venda por um negociante que, segundo ele, "não fazia ideia do que estava vendendo". Estavam atribuídas apenas a "uma mulher francesa". As declarações são inequívocas: "eu te amo intensamente", "sou eu a única que sabe como te amo". Em uma das cartas, Jacqueline escreveu a Frida: "ainda não recebi uma linha sua. Sempre espero, durmo o mínimo possível, a vida parece um corredor, um pouco estreito, mas certamente leva a portas cheias de surpresas, e você está esperando atrás de uma delas, a mais desejada." Outra carta chegou selada com marcas de beijos de batom...

Associação Obrigatória

Você precisa ser associado para ter acesso a este conteúdo.

Ver os níveis de associação

Já é assinante? Acesse aqui