
Separadas por quase quatro décadas, as duas artistas convergem no interesse por formas amplas e sinuosas. Voltadas à relação com elementos que não se acomodam no plano e que tensionam os limites entre figura e fundo, a abstração, em ambas as produções, roça a paisagem e o corpo na medida em que guarda a memória da terra e da matéria.
Germana Monte-Mór (1958) construiu, ao longo dos anos 1990, uma obra em que o asfalto, matéria densa, desenha e impregna o papel e o tecido, avançando sobre o claro como formação sedimentar. Na produção recente, essa investigação abriu-se à cor e ganhou uma profundidade literal: a superfície passa a ser recortada, bem como as aberturas cavadas na tela expõem planos cromáticos sobrepostos.
Mari Ra (1996), por sua vez, parte da cor vibrante e de um repertório visual popular de fachadas, fantasias e objetos da vida cotidiana para compor imagens de força magnética, situadas entre a ordenação geométrica e a livre fabulação. Suas linhas serpenteadas delineiam corpos possíveis, ao passo que seus jogos de forma e contraforma conduzem o olhar por percursos contínuos.
