
Era uma manhã tranquila de domingo quando o Museu Marmottan, em Paris, perdeu nove pinturas em menos de cinco minutos. Os ladrões entraram com máscaras, quebraram vitrines e saíram com obras de Monet, Berthe Morisot e outros impressionistas antes que qualquer alarme pudesse fazer diferença. Entre as peças levadas estava “Impression, Sunrise” (1872), o quadro de Monet que deu nome ao movimento. Era 1985, e ninguém fazia ideia de que a investigação levaria anos e cruzaria dois continentes.
A história que veio depois é tão improvável quanto cinematográfica. No centro dela está Philippe “Fifi” Jamin, ladrão parisiense que conheceu na prisão um traficante japonês chamado Shunichi Fujikuma. Os dois enxergaram uma oportunidade: roubar arte na França, onde o mercado era farto, e escoar no Japão, onde a demanda por obras ocidentais estava em alta nos anos 1980. O plano funcionou por um tempo. Antes do Marmottan, já haviam levado cinco Corots de um museu na Borgonha. Pelo caminho, assaltaram um van do banco Mitsubishi em Tóquio e fugiram com o equivalente a 7 milhões de euros em dinheiro vivo.
A investigação, conduzida pela detetive de arte Mireille Ballestrazzi, só chegou ao fim em 1990, quando os Monets foram encontrados num apartamento na Córsega. “Impression, Sunrise” precisou de apenas pequenos reparos. Uma tela de Berthe Morisot não teve a mesma sorte.
Agora a Studiocanal transforma essa trama em “The Paris-Tokyo Job (Or How To Rob A Yakuza)”, docussérie de quatro episódios dirigida por Jérémie Rozan e Jérôme Pierrat. A estreia acontece no festival Sunny Side of the Doc em junho, com lançamento completo previsto para o final do ano.