
A Simões de Assis apresenta mostra dedicada à produção abstrata de Cícero Dias (Pernambuco, 1907 – 2003), com texto crítico de Gerardo Mosquera, revisitando o período em que o artista antecipou o abstracionismo no Brasil — ainda no início dos anos 1940, antes da consolidação do concretismo e do neoconcretismo no país. A exposição reúne obras das décadas de 1940 ao início dos anos 1960, percorrendo a transição da figuração à abstração: nas telas dos anos 1940, formas orgânicas dissolvem a imagem figurativa em diálogo com referências europeias e com a paisagem pernambucana; nos anos 1950, surgem composições geométricas com movimentos em espiral e diagonal que tensionam o espaço pictórico. Radicado em Paris desde 1937, Dias integrou o Groupe Espace e a Galeria Denise René — epicentro da arte construtiva na França —, mantendo proximidade com Picasso e Paul Éluard. Para Mosquera, sua obra convoca “mais um olho-corpo do que um olho-máquina racionalista”, articulando rigor formal e memória sensorial num percurso que permanece singular na história da arte latino-americana.
