Anish Kapoor abre sua maior retrospectiva em Veneza

Cerca de 100 maquetes arquitetônicas, instalações monumentais e novas versões de obras emblemáticas ocupam a sede da fundação do artista até 8 de agosto, em paralelo à 61ª Bienal de Arte

 

A exposição que Anish Kapoor inaugura em Veneza, coincidindo com a 61ª Bienal de Arte, é a maior retrospectiva já dedicada à sua prática — uma travessia de cinco décadas de trabalho organizada nos salões do Palazzo Manfrin, edifício do século XVI no bairro de Cannaregio que abriga a fundação do artista. É apenas a segunda vez que o prédio histórico abre ao público.

Nascido em Mumbai em 1954 e radicado em Londres desde os anos 1970, Kapoor é uma das figuras mais influentes da escultura contemporânea. Vencedor do Prêmio Turner em 1991 e representante britânico na Bienal de Veneza em 1990 — onde recebeu o Prêmio Duemila —, o artista construiu uma obra que opera no limite entre escultura e arquitetura, atravessando da intimidade do objeto pigmentado à monumentalidade pública de trabalhos como Cloud Gate (2006), no Millennium Park de Chicago, e ArcelorMittal Orbit (2012), em Londres. Suas investigações sobre vazio, reflexo, profundidade e cor — sobretudo desde a polêmica aquisição do uso exclusivo do Vantablack, o material mais escuro já desenvolvido — fizeram dele um dos artistas mais debatidos e exibidos das últimas três décadas.

 

 

A retrospectiva no Palazzo Manfrin reúne cerca de 100 maquetes arquitetônicas que documentam projetos realizados e não realizados ao longo de 50 anos de prática, ao lado de instalações de grande escala e obras em aço inoxidável. A premissa curatorial é mostrar como cada um dos trabalhos monumentais de Kapoor — da instalação em PVC esticado Taratantara, no Baltic Centre for Contemporary Art (Gateshead, 1999), à primeira sala de concertos inflável do mundo, Ark Nova (2013), passando pela estação de metrô Monte Sant’Angelo, inaugurada em Nápoles no ano passado — começa no caderno de esboços e na maquete de ateliê.

O percurso expositivo se abre com uma nova versão monumental de At the Edge of the World (1998), de oito metros de diâmetro, suspensa do teto em pigmento preto. Uma nova obra-espelho de grande escala é exibida ao lado da icônica Descent into Limbo (1992). Compõem ainda o conjunto as extrusões de cimento de Ga Gu Ma (2012), os monocromos Majic Blue (2015) e Apple Red and Candy over Black (2011), uma sala imersiva em silicone e tinta que articula a prática pictórica recente do artista, e uma escultura em Vantablack — material desenvolvido com nanotecnologia que estende a investigação sobre o vazio. Esta última série retorna a Veneza quatro anos depois de sua primeira aparição no mesmo Palazzo Manfrin, em 2022.

A relevância da mostra, mais do que pela escala ou pela coincidência com a Bienal, está no recorte: é a primeira vez que Kapoor reúne em um só lugar a totalidade de sua pesquisa arquitetônica — realizada e não realizada — ao lado das esculturas e instalações que dela derivam. Como o próprio artista observa em texto que acompanha a exposição: “Por muito tempo pensei meu trabalho como arquitetura em potencial. Sempre fui convencido pela ideia de que, para criar nova arte, é preciso criar novo espaço.”

 

 

Anish Kapoor: Palazzo Manfrin

Local: Palazzo Manfrin — Cannaregio 342, Veneza, Itália

Período: 6 de maio a 8 de agosto de 2026

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