Abre hoje feira de arte em Goiânia concentrada em artistas do Centro-Oeste

FARGO chega à oitava edição e ocupa quatro espaços na cidade a partir desta quarta-feira

 

Existe uma regra não escrita na FARGO que diz mais sobre a feira do que qualquer número de estandes: todas as galerias participantes, inclusive as de outros estados, são orientadas a incluir artistas goianos ou da região Centro-Oeste nos seus conjuntos. “Isso valoriza o trabalho desenvolvido aqui e também reforça a potência da arte local”, explica Sandro Tôrres, um dos donos da feira. A FARGO foi fundada em 2017 com esse princípio e, dez anos depois — com um hiato de pandemia no meio —, chega à oitava edição.

Com abertura hoje, quarta-feira (13), o que mudou de forma expressiva nesta em relação às outras edições da feira é a escala. 2026 marca a maior expansão desde o nascimento da FARGO, passando de aproximadamente 30 para 50 estandes ocupando o Museu de Arte Contemporânea de Goiás, o Centro Cultural Oscar Niemeyer e as galerias D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa. 

Em 2025, a feira registrou público de aproximadamente 20 mil pessoas, com cerca de 30% vindas de outros estados; para 2026, a expectativa é superar 30 mil visitantes em cinco dias. “A gente está na oitava edição. É uma edição que pra gente é histórica, porque ela representa um quase dobrar de tamanho fisicamente”, afirma Sandro.

O interesse curatorial da edição tem por referência o Cerrado, tratado como símbolo de diversidade, resistência e regeneração. Sandro costuma citar como indicadores do ecossistema que a feira ajudou a construir ao longo da última década o Sertão Negro, a chegada do projeto Serrado ao estado e um recorte da Bienal de São Paulo realizado em Goiânia — iniciativas que não existiriam sem uma cena local fortalecida. 

“Goiânia passa a ser percebida não apenas como um ponto de passagem, mas como destino estratégico para quem busca descobrir novos artistas, diversificar investimentos e acompanhar a produção contemporânea brasileira a partir de outros territórios”. O circuito nacional da arte, historicamente concentrado no eixo Rio-São Paulo, tem sido pressionado por iniciativas regionais que insistem em existir com identidade própria. E a FARGO é, até agora, um caso que revela alguma consistência.