Pavilhão Russo acusa Pussy Riot de censura na Bienal de Veneza; coletivo rebate nas redes

Após protestos na abertura da mostra, o grupo punk pediu a retirada de imagens suas de um documentário exibido pelo pavilhão; a troca de farpas foi pública, no Instagram

Foto: Pussy Riot, Taisiya Krugovykh & Vasily Bogatov

O Pavilhão Russo na Bienal de Veneza de 2026, já no centro das controvérsias desde antes da abertura, ganhou um novo capítulo de tensão. Em publicação no Instagram na última segunda-feira, o pavilhão acusou o coletivo punk Pussy Riot de censura, após o grupo solicitar a retirada de imagens suas de um documentário previsto para ser exibido no espaço.

“O Pussy Riot nos pediu para remover as imagens em que aparecem do filme documentário sobre o projeto”, escreveu o pavilhão na legenda de uma imagem com os dizeres “Censurado a pedido do Pussy Riot”. O texto continuou: “Eles escreveram que não querem seus protestos exibidos no pavilhão… estranho. Queríamos ser honestos e mostrar o que realmente aconteceu, mas isso está se tornando pura autocensura.”

A resposta do Pussy Riot veio nos comentários, com ironia: “lol vocês podem usar o Instagram? Esqueceram dessa parte — a Meta é uma organização extremista na Rússia desde 2022.” O coletivo se referia à proibição imposta pelo governo russo às plataformas da Meta após a invasão da Ucrânia, em fevereiro daquele ano. “Aliás, qual VPN vocês usaram, ou isso é uma das vantagens de estar na Itália??”

O documentário em questão parece ser a documentação digital programada para ser exibida nas janelas do pavilhão durante o restante da Bienal, que vai até novembro. Diante das sanções internacionais a Moscou, a equipe do pavilhão negociou com os organizadores para realizar performances ao vivo apenas durante o período de pré-abertura, encerrando as atividades presenciais durante a visitação pública.

A medida não foi suficiente para aplacar os protestos. Na abertura, na última quarta-feira, dezenas de manifestantes invadiram o espaço aos gritos de “A Rússia mata! A Bienal expõe!” À frente da ação estavam Nadya Tolokonnikova e outros integrantes do Pussy Riot, que se uniram ao grupo ativista ucraniano FEMEN. Com balaclavas rosa e fumaça nas cores da bandeira ucraniana, a cena tomou ares de show de punk rock em plena Veneza.

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