
A Maneco Müller: Múltiplo apresenta a mais recente produção de Ana Holck (Rio de Janeiro, 1977) em exposição que marca 25 anos de trajetória da artista. As cerca de 16 obras inéditas — todas produzidas em 2026 — trazem um elemento nunca antes utilizado em sua prática: a cor. Trabalhando com um barro canadense chamado Gres, que já vem pigmentado de fábrica, Holck introduz nuances suaves e rebaixadas que funcionam como marcadores de ritmo e espaço, o que ela chama de “não-cores”. A mostra apresenta três séries: Desajustados, nova série em que tubos de cerâmica coloridos são interligados por aço inox criando sensação de movimento; Entroncados, em que a lógica se inverte — é a fita de aço que expande a partir do núcleo de cerâmica; e Grades, que retoma um elemento estrutural recorrente em sua obra, agora em versões tridimensionais com sobreposições e ângulos oblíquos. Formada em arquitetura, Holck opera com módulo e repetição, usando extrusora para produzir tubos de bitolas regulares — um processo que aproxima sua cerâmica do minimalismo sem abrir mão da dimensão espacial e experiencial da escultura.
