
A Pinacoteca de São Paulo reúne pela primeira vez, em sala especial, as 27 gravuras de Beatriz Milhazes que integram seu acervo — o único museu do mundo a possuir esse conjunto, doado pela artista em 2009 e 2024. As obras, produzidas entre 1996 e 2019 em parceria com Jean-Paul Rusell e a Durham Press (Pensilvânia, EUA), revelam uma dimensão menos conhecida da prática da artista: a experimentação gráfica em grande escala, com peças que chegam a quase dois metros de largura. Com curadoria de Renato Menezes, a mostra evidencia como Milhazes subverte a serigrafia — técnica tradicionalmente associada a superfícies chapadas — ao introduzir transparências, sobreposições e efeitos de profundidade que aproximam as gravuras de sua investigação pictórica. Florais, arabescos, mandalas e estruturas ornamentais se desdobram em composições que alternam densidade e respiro, reafirmando uma linguagem construída no diálogo entre tradição popular brasileira, geometria moderna e experimentação técnica.
