
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira apresenta, no Jardim das Esculturas — novo espaço a céu aberto instalado em área que abrigou uma Delegacia de Jogos e Costumes, historicamente associada à repressão de práticas culturais negras —, sete esculturas de grandes dimensões em madeira de demolição de Sandro Aiyê, com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares. As estruturas verticais partem de madeiras marcadas pelo uso, reorganizadas de modo que suas marcas permanecem visíveis e incorporadas à forma. A exposição mobiliza Exu como princípio de articulação e abertura de caminhos — não como referência religiosa restrita, mas como operador simbólico que organiza as relações entre obra, espaço e circulação. O título sintetiza essa lógica: “padê” como gesto inaugural de criação de condições, e “onã”, do iorubá, como caminho. Ao ocupar um lugar historicamente associado ao controle de práticas negras, a mostra converte esse território em espaço de presença e visibilidade.
