Ministro da Cultura da Itália boicota abertura da Bienal de Veneza em protesto contra retorno da Rússia

Alessandro Giuli não participará da cerimônia de abertura da Bienal de Veneza 2026 após a reintegração do pavilhão russo ao evento

Foto: Marco Cappelletti

A controvérsia em torno do retorno da Rússia à Bienal de Veneza 2026 ganhou um novo desdobramento. O ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, anunciou que não participará da cerimônia de abertura da mostra, marcada para 9 de maio, em protesto contra a presença do pavilhão russo nesta edição.

A decisão marca um gesto político de forte repercussão. Desde que a Bienal confirmou a volta da Rússia — ausente desde 2022, após a invasão da Ucrânia —, a escolha vem provocando críticas de governos europeus, instituições culturais e agentes do meio artístico. Giuli já havia se manifestado publicamente contra a medida e, em março, chegou a pedir a renúncia de Tamara Gregoretti, representante do governo italiano no conselho da Fundação Bienal de Veneza, alegando falta de transparência no processo que levou à readmissão do país.

A reação se estendeu além da Itália. A Comissão Europeia retirou um financiamento de €2 milhões destinado à Bienal, enquanto o júri internacional anunciou que artistas e pavilhões de países cujos líderes enfrentam acusações de crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional não serão elegíveis aos principais prêmios da edição — medida que afeta diretamente Rússia e Israel.

Apesar da pressão, a Bienal de Veneza mantém sua posição. A instituição afirma que, como plataforma internacional de arte, não cabe a ela excluir países oficialmente reconhecidos pelo Estado italiano. A defesa da autonomia curatorial e da liberdade de expressão, no entanto, tem reacendido debates sobre os limites entre independência institucional, diplomacia cultural e responsabilidade ética em um cenário geopolítico cada vez mais tenso.