“Sendo”, primeira individual de Lygia Pape na Mendes Wood DM, marca a entrada da artista no centenário com um recorte ambicioso. Dividida entre a Casa Iramaia e o galpão da Barra Funda, a mostra reúne gravuras, livros, instalações, esculturas e pinturas de cinco décadas, com obras emblemáticas e peças raramente expostas. Mas a graça mesmo é que a chance de ver um conjunto maior de trabalhos de Pape esclarece o quanto a artista teve questões contínuas na sua produção paralelas às incertezas constantes que abraçaram o seu percurso.
O título, que parte do Poema Luz Sendo (1957), é apresentado em placas de acrílico coloridas suspensas no espaço que fazem a palavra “sendo” emergir e desaparecer conforme o deslocamento do olhar e o corte da luz, estabelecendo um ângulo que passa menos por enunciados e mais por situações de percepção. Da mesma forma, os Tecelares (1957) reforçam a imagem de uma artista que pensa a geometria sempre a partir da matéria: as linhas severas da composição convivem com os veios da madeira, como se a grade aceitasse, desde cedo, a interferência do acaso.
Os livros ocupam um núcleo importante e ajudam a deslocar a discussão para a relação entre forma e tempo. Em Livro Noite e Dia I (1963/1976), módulos quadrados em relevo, em preto, branco e cinzas, se organizam em...