
A Thaddaeus Ropac, em Milão, apresenta “Dialogues are mostly fried snowballs”, uma exposição que propõe um diálogo inédito entre Marcel Duchamp e Sturtevant, dois nomes fundamentais para a arte conceitual e suas reverberações.
Partindo dos readymades de Duchamp — objetos cotidianos elevados à condição de obra por um gesto de escolha —, a mostra estabelece uma relação direta com a prática de Sturtevant, conhecida por recriar, de memória, trabalhos de outros artistas. Ao longo de quatro décadas, ela se apropriou do vocabulário duchampiano para investigar os mecanismos de produção, circulação e canonização da obra de arte.
Reunindo trabalhos icônicos como Porte-bouteilles e Fountain, ao lado de suas reiterações por Sturtevant, a exposição articula um confronto entre original e cópia, questionando noções de autoria, aura e autenticidade. Nesse contexto, referências ao pensamento de Walter Benjamin — especialmente em torno da reprodutibilidade técnica — atravessam a leitura das obras.
Ao incorporar diferentes meios, como fotografia, escultura e instalação, a mostra evidencia como ambos os artistas deslocam o foco da experiência estética do visual para o conceitual. Se Duchamp buscava “desdivinizar” o artista por meio do gesto antiartístico, Sturtevant radicaliza essa operação ao explorar a repetição como estratégia crítica.
