Museu de Barcelona se recusa a devolver murais medievais a mosteiro espanhol

Instituição catalã alega riscos de dano irreversível às obras, apesar de decisão judicial que exige a restituição ao mosteiro de Sijena

Foto: Associated Press/Alamy Stock Photo

O Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC) anunciou que não irá cumprir, por ora, a ordem judicial que determina a devolução dos murais medievais do Mosteiro de Sijena, reacendendo uma disputa de longa data entre instituições da Catalunha e da região de Aragão.

A decisão judicial exige que as pinturas — datadas do século XIII e consideradas um dos conjuntos mais importantes da arte românica espanhola — sejam transferidas de volta ao mosteiro de origem. No entanto, o museu argumenta que a remoção representa um risco significativo à integridade das obras, que passaram por processos complexos de restauração ao longo do século XX.

Segundo o MNAC, as pinturas foram destacadas das paredes do mosteiro após danos causados durante a Guerra Civil Espanhola, sendo posteriormente conservadas e exibidas em Barcelona. A instituição sustenta que as condições atuais do mosteiro não garantiriam a preservação adequada dos murais.

Do outro lado, autoridades de Aragão defendem a restituição com base em decisões judiciais que reconhecem a titularidade do conjunto ao mosteiro, além de argumentarem que intervenções recentes garantiriam condições adequadas para o retorno das obras.

O impasse expõe um conflito recorrente no campo do patrimônio: o embate entre direitos legais de posse e responsabilidades técnicas de conservação. Ao se recusar a cumprir imediatamente a ordem, o museu catalão desloca a discussão para além da propriedade, colocando em primeiro plano a preservação material das obras.

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